quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Venda da cloroquina no Brasil gera lucro a cinco fabricantes

Foto: Divulgação

Da Redação

Afinal, quem ganha com o amplo consumo da cloroquina no combate ao novo coronavírus? O presidente Jair Bolsonaro se tornou o mais entusiasmado garoto-propaganda da substância no Brasil, a despeito das críticas da comunidade científica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é categórica ao afirmar que o fármaco é ineficaz no tratamento contra a Covid-19.

Há cinco empresas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a produzir o medicamento no país. Eles não informam quanto o faturamento aumentou, mas de acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o consumo de cloroquina pelos brasileiros cresceu 358% durante a pandemia.

O laboratório Aspen, de Renato Spallicci, triplicou em abril a produção de Reuquinol, à base da substância. Em 26 de março, a caixinha do produto apareceu no mundo todo ao ser exibida pelo presidente Bolsonaro num encontro virtual com líderes do G-20. Bolsonarista até a alma, Spallicci divulgou nas redes sociais as imagens do presidente exibindo seu remédio.

Garoto-propaganda

Anteontem, já com diagnóstico positivo da Covid-19, Bolsonaro voltou a exibir uma caixinha de hidroxicloroquina durante sua live semanal, assistida por 1,6 milhão de pessoas. “Por volta das 17h (de terça-feira) tomei um comprimido de cloroquina. Recomendo que você faça a mesma coisa. Sempre orientado pelo médico. É um testemunho meu: tomei e deu certo, estou muito bem”, afirmou o presidente. “No meu caso deu certo. Não estou ganhando nada com isso. Não tenho nenhum negócio com essa empresa”, justificou.

Desta vez, o remédio exibido era a versão genérica do medicamento, produzida pela EMS. A empresa faz parte do grupo controlado por Carlos Sanchez, também dono do laboratório Germed, outro autorizado a vender a cloroquina no País. O empresário está na lista da revista Forbes como o 16.º homem mais rico do Brasil e uma fortuna avaliada em U$ 2,5 bilhões.

Outro fabricante de cloroquina é o empresário Ogari de Castro Pacheco, cofundador do laboratório Cristália. Filiado ao DEM, Pacheco é segundo-suplente do líder do governo no Senado, Eduardo Gomes (MDB-TO), e eleitor de Bolsonaro.

Pacheco cita, em declaração no site da empresa, o fato de a pandemia ter levado a um “crescimento sem precedente de venda de medicamentos”. Segundo o senador Eduardo Gomes, o empresário está internado com Covid-19 e fez uso do medicamento que vende.

Donald Trump

O único laboratório estrangeiro autorizado a vender cloroquina no País é o francês Sanofi-Aventis, que tem o presidente dos EUA, Donald Trump, como acionista. Em abril, o jornal The New York Times publicou reportagem na qual questiona se a defesa do presidente norte-americano ao uso da cloroquina estaria relacionada à saúde ou aos seus negócios.

Além disso, o governo brasileiro acelerou a produção da hidroxicloroquina no laboratório do Exército. Segundo o Ministério da Defesa, até o fim de junho, 1 milhão de comprimidos da substância tinham sido distribuídos e havia um estoque de mais 1,85 milhão de unidades. A produção foi suspensa até que todos sejam enviados a hospitais e postos de saúde públicos.

12 de julho de 2020, 21:32

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