quinta-feira, 16 de julho de 2020

Rapidinhas: Um recado de Glauber Rocha e ACM ao futuro já presente

Foto: Reprodução/YouTube

Davi Lemos

Era o período da reabertura política, em 1979, o cineasta Glauber Rocha entrevistara Antonio Carlos Magalhães e, na pergunta final, fez um questionamento fundamental: o que o político achava da liberdade de expressão. “Sou plenamente favorável e acho que qualquer censura intelectual é extremamente nociva”, respondera ACM, então governador da Bahia. No prelúdio ao questionamento, Rocha dissera das intenções a ACM em transformar a Bahia em “nova Grécia tropical” onde baianos e brasileiros pudessem falar o que quisessem.

Discordância e convergência

Sobre as opiniões de Glauber, disse ACM: “Poderíamos até discordar – e quantas vezes temos discordado – mas as suas opiniões são sempre válidas e sempre merecem estudo”. O governador ressaltou a necessidade de os artistas (e também jornalistas, intelectuais, etc.) falarem com cada vez mais propriedade, a fim de que as pessoas tivessem, na divergência, a possibilidade de construir pontes de convergência. O diálogo de Glauber e de ACM soa como sinal fundamental para estes tempos, para esta semana. Mas, sigamos.

Churchil, Saramago e o fascismo 1

Na semana em que estouram nas redes sociais menções de combate ao fascismo, surgiu comentário atribuído ao ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874 – 1965) sobre fascistas do futuro. “Os fascistas do futuro se chamarão a si mesmos de antifascistas”, compartilharam os filhos do presidente Jair Bolsonaro (o Eduardo e o Flávio) atribuindo a frase ao famoso premiê britânico. Mas, a frase, no jargão contemporâneo, é fake.

Churchil, Saramago e o fascismo 2

A tática da direita também foi reproduzida pela esquerda. “Os fascistas do futuro não vão ter aquele estereótipo de Hitler ou Mussolini. Não vão ter aquele jeito de militar durão. Vão ser homens falando tudo aquilo que a maioria quer ouvir. Sobre bondade, família, bons costumes, religião e ética. Nessa hora vai surgir o novo demônio, e tão poucos vão perceber a história se repetindo”. A frase foi citada em agosto de 2018 pelo então senador Lindbergh Farias e atribuída ao escritor José Saramago (1922 – 2010). A Fundação José Saramago informou então ao El País que aquela frase “nunca foi dita ou escrita” pelo escritor português.

E esse futuro? Chegou?

A autoria das frases atribuídas a Churchill e Saramago é falsa. Mas os fascistas do futuro (ou melhor, aqueles apontados no presente) são reais? As anônimas profecias são corretas? É interessante que, quando houve a reforma trabalhista no governo Temer, os que xingavam os reformadores de “fascistas” defendiam a manutenção da CLT criada por Getúlio Vargas (1882 – 1954), inspirada na “Carta del Lavoro” do regime fascista italiano de Benito Mussolini (1883 – 1945). Diante das inconsistências retórica e teórica dos neofascitas e antifascistas, seria interessante que assistissem àquela entrevista de Glauber a ACM.

Assista ao vídeo:

02 de junho de 2020, 19:59

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