quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Um dia muito triste para mim

Paulo Roberto Sampaio*

Hoje foi um dia triste para mim. Muito triste mesmo. Os bandidos que invadiram a Tribuna da Bahia com o objetivo de levar o pagamento dos auxiliares da circulação e feriram com coronhadas dois de nossos colegas, não tingiram de sangue apenas o piso desgastado da circulação. Feriram todos nos que amamos esta casa, eu em especial há longos 48 anos.

Foi um dia amargo, a contemplar móveis revirados, cadeiras quebradas, gavetas destruídas, documentos jogados por todo canto, como se um furacão por ali tivesse passado. E nada disso foi feito pela natureza e sim pelas mãos de três marginais, que talvez jamais saibam o significado da Tribuna para essa Bahia.

Enquanto recebia os colegas de outras redações para registrar a barbárie ali cometida, pude constatar o quanto estavam chocados, alguns e algumas pela primeira vez pisando neste pedaço de história do jornalismo baiano.

Era dia de folga, mas cheguei cedo e quase não tirei o pé de lá. Caminhei pelos seus corredores como se seguindo os passos de grandes mestres que por lá passaram e ajudaram a fazer a história da Tribuna. Foi como se ouvisse na redação vazia o vozeirão do mestre João Ubaldo Ribeiro a esbravejar quando algo saia em desacordo ou quando cometíamos um erro grave de grafia. Lembrei de Quintino de Carvalho, Milton Caires, Cid Teixeira, Sérgio Gomes, grandes editores com quem muito aprendi e convivi.

Não ousei arredar o pé até a noite chegar. Era como se quisesse dividir com ela a sua dor, de alguma forma acariciá-la, dizer a ela o quanto a amo e seguirei amando até o último dia de minha vida e que nada, absolutamente nada, vai diminui-la. Nem alguns milhares de reais levados por um bando de marginais, nem a estupidez dos que, num momento tão grave como esse, tentam menosprezá-la.

Que saibam os marginais com diploma que a história da Tribuna não se escreve com um punhado de moedas nem delas depende para se fazer o jornalismo que ela pratica há quase 50 anos. Viver a Tribuna, escrever na Tribuna, editar a Tribuna é muito mais que um ofício com hora para começar e terminar a jornada. É amar, acima de tudo, o jornalismo e esta casa, é se orgulhar de inserir seu nome na história desse que pode não ser o maior jornal da Bahia, mas é o que é  feito com mais amor e dedicação por todos que a integram.

Força minha querida e amada Tribuna que amanhã será um novo dia e segunda você estará nas mãos dos seus leitores mais vibrante do que nunca.

*Paulo Roberto Sampaio é editor chefe da Tribuna da Bahia

09 de junho de 2018, 20:43

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