segunda-feira, 21 de outubro de 2019

“Trump uruguaio” cresce nas pesquisas e pode virar surpresa nas eleições do país

Foto: Reprodução/Youtube

Redação

Bilionáro, discípulo de Donald Trump e fã de Jair Bolsonaro, Juan Sartori promete movimentar as eleições do Uruguai, marcadas para o dia 27 de outubro. O jovem bilionário de 38 anos segue uma tendência que se vê em diversas partes do mundo, quando nomes fora da política partidária tradicional resolvem se lançar candidatos a cargos no executivo e no legislativo, com a promessa de trazer novos ares ao ambiente.

Segundo o Estadão, Sartori vem crescendo nas pesquisas e tirando a vantagem do então favorito Luis Alberto Lacalle Pou pela vaga no Partido Nacional, cujas primárias acontecem no dia 30.

A Frente Ampla, que atualmente é a base do governo uruguaio, ainda aparece na frente com 36% das intenções de voto. O Partido Nacional segue na cola, com 29%. Os analistas políticos no Uruguai avaliam que o resultado é suficiente para disputar o segundo turno e atrair o voto da oposição, aproveitando o desgaste do governo de centro-esquerda, que está há 15 anos no poder, e vem registrando fracassos na área econômica e de segurança.

Ironicamente, Sartori faturou US$ 50 milhões com a venda de maconha, que foi legalizada no governo de José “Pepe” Mujica. Latifundiário, dono do time de futebol inglês Sunderland, e casado com Ekaterina Rybolovleva, filha de um magnata russo, o bilionário viveu no exterior 25 anos e retornou ao país com o objetivo de ser presidente.

Apesar de nunca ter sido membro do Partido Nacional, apresentou-se como candidato e está confiante que vai derrotar Lacalle Pou.

Sartori vem num movimento que tem tomado conta de diversas partes do mundo, no qual nomes não vinculados à política tradicional estão assumindo vagas no executivo e no legislativo. Foi assim nos EUA, com o empresário Donald Trump, e na Ucrânia, com o comediante Volodymyr Zelenski. No Brasil, nomes ligados ao Partido Novo, que prega o que se chama de “nova política”, elegeu Romeu Zema como governador de Minas Gerais, além da eleição de nomes no legislativo nos estados e na Câmara Federal.

João Doria (PSDB-SP) é mais um exemplo desse movimento no Brasil. Ele se apresentou como gestor, quando se candidatou à prefeitura de São Paulo e derrotou o então candidato à reeleição, Fernadno Haddad (PT-SP), em 2016. Dois anos depois, Doria, com o mesmo discurso, se lançou candidato a governador de São Paulo e também venceu.

O próprio presidente Jair Bolsonaro, apesar de estar na política há 30 anos, elegeu-se com o discurso da “nova política”, na tentativa de se desvincular das práticas tradicionais do jogo, ou o que ele mesmo chamou de “toma lá, dá cá”. Sartori encontrou-se com o presidente brasileiro no Fórum Mundial Econômico, em Davos, no mês de março. Na ocasião, Bolsonaro recomendou ao uruguaio: “Tire a esquerda de lá”.

23 de junho de 2019, 12:48

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