terça-feira, 22 de junho de 2021

Taxa de empreendedorismo no Brasil cai mais de 18% durante a pandemia

Foto: Divulgação

Da Redação

Em 2020, a taxa de empreendedorismo total no Brasil atingiu o menor patamar dos últimos oito anos e caiu para 31,6%, o que representa uma redução de 18,33% quando comparada com a taxa de 2019, que foi de 38,7%. As informações constam no relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020, realizada no Brasil pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ). Com esse resultado, o Brasil caiu do 4º lugar em taxa total de empreendedorismo no mundo para o 7o lugar.

A taxa de empreendedorismo total é a proporção da população adulta que está ocupada como empreendedor inicial, aqueles com até 3,5 anos de operação, e/ou dos empreendedores estabelecidos, com mais de 3,5 anos de operação. Apesar da taxa de empreendedorismo inicial ter apresentado um ligeiro aumento, passando de 23,3% para 23,4%, e atingido a maior taxa histórica da série, que é feita desde 2002, a forte redução na quantidade de empreendedores estabelecidos derrubou a taxa total, ao passar de 16,2% para 8,7%, uma redução de quase 50%. O número de empreendedores estabelecidos ficou abaixo do registrado em 2004.

O superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, afirma que o resultado da pesquisa GEM evidencia o impacto da crise, que atingiu diversos donos de pequenos negócios. “Nesses momentos, entendemos que nossa responsabilidade, enquanto Sebrae, aumenta substancialmente. Nosso atendimento reforçou sua presença digital, chegando junto aos pequenos negócios com orientações e consultorias. Atuamos ainda de mãos dadas com os municípios para melhorar o ambiente empreendedor e ajudar as MPE a atravessarem este momento”.

Khoury lembra que muitos pequenos negócios precisaram fechar as portas nesse período de pandemia e reforçou ainda que o aumento do desemprego fez muitas pessoas empreenderem por necessidade. “Muitos desses empreendedores acabam entrando no mercado sem um planejamento adequado, por conta da urgência da obtenção de renda. Precisamos também ter atenção a esse público, para que suas atividades possam sobreviver e se tornem sustentáveis”, conclui Khoury.

Necessidade

O leve crescimento na porcentagem da taxa dos empreendedores iniciais tem entre suas causas o aumento do desemprego no país motivado pela pandemia do coronavírus. Essa expansão levou o índice ao maior nível da série histórica que já é monitorada pelo Sebrae há quase 20 anos. Esse índice é composto por empreendedores novos, que têm mais de três meses e até 3,5 anos de operação, e pelos nascentes, que representam o grupo de pessoas que nos últimos 12 meses realizaram alguma ação visando ter um negócio próprio ou tem uma empresa com no máximo três meses de operação. O nível recorde de empreendedores iniciais foi puxado pelo grande contingente de empreendedores nascentes, aqueles que acabaram de entrar ou ainda estão tentando montar um negócio, como alternativa de sobrevivência.

De acordo com o relatório da GEM 2020, o número de empreendedores iniciais motivados por necessidade saltou de 37,5% para 50,4%, o mesmo nível de 18 anos atrás. Além disso, 82% dos entrevistados alegaram que a motivação para começar um negócio foi a solução encontrada para ganhar a vida porque os empregos são escassos.

A pesquisa também detectou que o contingente de pessoas que estão entrando agora no mercado como empreendedores, os empreendedores nascentes, cresceu 25% e atingiu o maior patamar da série histórica, com uma taxa que representa 10,2% da população adulta. “Podemos chamar muitos desses empreendedores de filhos da pandemia e que foram para o caminho do empreendedorismo por uma extrema necessidade de obter renda”, ressalta o presidente do Sebrae.

Pesquisa GEM

A GEM é a maior pesquisa de empreendedorismo do mundo e nos seus 21 anos de existência, 110 países participaram desse mapeamento, que já realizou mais de 10 milhões de entrevistas com pessoas que fazem parte da população adulta no mundo. Em 2020, 46 países participaram do levantamento e foram entrevistadas 140 mil pessoas no mundo. No Brasil, foram realizadas duas mil entrevistas com pessoas entre 18 e 64 anos entre os meses de julho e outubro de 2020.

As informações são da Agência Sebrae de Notícias.

10 de junho de 2021, 12:57

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