sexta-feira, 5 de junho de 2020

‘Só saio do governo demitido ou morto’, diz Mandetta

Foto: Fabio Rodrigues Pozebom/Ag. Brasil

Da Redação

O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse ao presidente Jair Bolsonaro que o Brasil, se não seguir à risca as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), corre o risco de enfrentar um cenário parecido com o do Equador. Em Guayaquil, a maior cidade equatoriana, vítimas fatais da Covid-19 se aglomeram nas casas de parentes, corpos são deixados nas ruas, o sistema funerário local está em completo colapso e, com a falta de caixões suficientes, as pessoas estão sendo enterradas em grandes caixas improvisadas, feitas de papelão.

Nesta segunda-feira (6), no horário reservado para a entrevista coletiva diária do governo sobre o avanço dos casos de coronavírus no Brasil, o presidente convocou uma reunião geral com todos os integrantes do primeiro escalão. Nela, além de afirmar que o Brasil poderia fazer companhia aos equatorianos em um caos funerário, Mandetta voltou a afirmar que não irá pedir demissão. De acordo com a Veja, o ministro disse que só deixa o governo “demitido ou morto”. Bolsonaro já ameaçou demitir o ministro, mas por ora concordou em manter o auxiliar.

Mandetta está disposto a resistir às pressões e, durante coletiva recente, citou ensinamento do pai, o também médico ortopedista Hélio Mandetta, segundo o qual “não abandona paciente em nenhuma hipótese antes da cura”, e fez uma defesa ampla de métodos científicos para lidar com a doença que já matou mais de 78.000 pessoas no mundo.

07 de abril de 2020, 15:02

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