terça-feira, 14 de julho de 2020

Rapidinhas: Qual democracia agrada a Bolsonaro?

Foto: Isac Nóbrega/PR

Davi Lemos

A série de postagens feitas pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter, no final da noite de terça-feira (16), na qual ele diz, no primeiro tweet, que “o histórico do meu governo prova que sempre estivemos ao lado da democracia e da Constituição brasileira” e que “não houve, até agora, nenhuma medida que demonstre qualquer tipo de apreço nosso ao autoritarismo, muito pelo contrário” foi prontamente repostado por seguidores. A série de tweets foi uma resposta à ação da Polícia Federal cujo objetivo era investigar origem de recursos para financiamento de supostos atos contra a Democracia.

É chegada a hora?

Hoje (17), na saída do Alvorada, o presidente disse que “está chegando a hora de todos, sem exceção, entenderem o que é democracia”. Bolsonaro classificou as ações da Polícia Federal realizadas ontem após pedido da Procuradoria-Geral da República e autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como um “abuso”. A apoiadores disse que essa hora do entendimento sobre democracia chegaria. A questão é saber qual democracia agrada ao presidente e aos seus opositores.

E a palavra?

Na série de tweets, Bolsonaro afirmou que vem mantendo os projetos de campanha; mas muitos deles foram notoriamente deixados de lado. A bandeira do combate à corrupção perdeu força após a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça; a bandeira do fim do “toma lá dá cá” foi destruída ainda nos primeiros meses de governo e foi sepultada hoje com a recriação do Ministério das Comunicações. O que garante veracidade de tal apreço à democracia após tantas declarações de louvor ao Regime Militar iniciado em 1964?

17 de junho de 2020, 20:31

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