quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Rapidinhas: primeiro debate em Salvador indica o ‘script’ dos próximos

Foto: Band Bahia

Davi Lemos

O primeiro debate entre prefeituráveis de Salvador transmitido na noite desta quinta-feira (1), na Band Bahia, trouxe a realidade do que serão os próximos embates entre os candidatos até a realização do primeiro turno, em 15 de novembro: um contra todos, todos contra um. Os quatro candidatos da base do governador petista Rui Costa – Major Denice (PT), Olívia Santana (PCdoB), Bacelar (Podemos) e Pastor Sargento Isidório (Avante) – contra Bruno Reis (DEM), atual vice-prefeito e candidato à sucessão de ACM Neto. Celsinho Cotrim (Pros) surge como independente e Hilton Coelho (PSOL) como franco atirador. A repetição das mesmas regras em posteriores debates trará embates previsíveis e monótonos.

Cenário

Cabe a Bruno Reis defender o legado de oito anos da gestão do prefeito ACM Neto, cuja aprovação tem sido recorde desde o primeiro mandato e mantida no segundo, quando a tendência é de haver queda. A queda de popularidade de Antônio Imbassahy no segundo mandato, nome do carlismo que sucedeu Lídice da Mata, não possibilitou em 2004 a vitória de César Borges, então candidato do PFL que foi derrotado por João Henrique, então no PDT. O desastroso desempenho de João Henrique em sua gestão não somente o impossibilitou de eleger um sucessor como representou sua “morte” na política. Ou seja, a condição de Neto/Reis, em 2020, é completamente diversa das observadas em 2004 com Imbassahy/Borges e, em 2012, com João Henrique, que sequer lançou nome para sucedê-lo.

Jogo combinado

Major Denice, Olívia Santana, Bacelar e Isidório cumpriram bem o papel de destinar quase a totalidade do tempo do debate para atacar a gestão do prefeito ACM Neto, na qual Reis é não somente vice-prefeito, mas ex-secretário de Infraestrutura e Obras Públicas. A estratégia do quarteto foi mencionar obras realizadas pelo Governo do Estado para afirmar que as mudanças em Salvador ocorreram devido, por exemplo, às intervenções viárias durante as gestões de Rui Costa e de Jaques Wagner. Só não deu para entender a cobrança feita por Bacelar a Reis sobre o retorno das aulas na rede municipal quando, há dois dias, o secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues, disse não haver como retomar as aulas no estado.

Propostas curiosas

Não faltaram propostas curiosas no debate. Uma delas foi a do Pastor Sargento Isidório, que prometeu zerar os impostos de empresários que quiserem abrir negócio em Salvador como forma de estimular a geração de empregos. Já Hilton Coelho quer a criação de um banco municipal que livre os cidadãos das “garras” dos grandes bancos. A ideia do candidato do PSOL não é nova: já foi apresentada pelo então candidato a prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Marcelo Freixo, também do PSOL, em 2016. O carioca defendia que o banco municipal fosse parceiro de outros estatais como a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e o BNDES.

02 de outubro de 2020, 19:00

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