segunda-feira, 26 de julho de 2021

Rapidinhas: O caso do apoio do PCO a Trump, Neymar e Pelé

Foto: Reprodução/Instagram

Davi Lemos

Não, caro leitor, você não leu errado. O título refere-se a isso mesmo: o Partido da Causa Operária (PCO), em publicação na sexta-feira (8) em seu site Causa Operária, defendeu o presidente dos EUA Donald Trump, após seu banimento nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram. E, nesta segunda (11), ao defender Neymar, criticou o que denomina “esquerda moralista” que demoniza o jogador por posar para foto ao lado de Bolsonaro; o mesmo valendo para Pelé que enviou camisa autografada ao presidente brasileiro. Tempos estranhos, não? Mas, sigamos.

Incitou invasão?

Na publicação da sexta (8), o site do PCO pontuou alguns fatos sobre a atuação de Trump no Twitter no dia da invasão ao Capitólio – o presidente norte-americano teve que excluir três tweets. “É preciso notar que nenhum dos tuítes censurados incentivava os protestos e a ocupação do congresso. Pelo contrário, em dois deles Trump pedia que não houvesse violência, que os guardas do Capitólio fossem deixados em paz e, em um terceiro, um vídeo de Trump pedia que os manifestantes voltassem para casa”, rememorou a publicação do PCO. No vídeo apagado também no Instagram e no Youtube, Trump ressalta que as eleições foram fraudadas e que não concordava com o resultado.

Imperialismo e censura

“A situação toda mostra que os monopólios das redes sociais são totalmente contrários à liberdade de expressão e estão transformando a internet, que tinha o potencial de ser um dos meios de comunicação mais democráticos e acessíveis à população, em um ambiente onde o único discurso presente é o que esteja de acordo com o que o imperialismo permite”, ainda descreveu o Causa Operária. Para o PCO, é Joe Biden, presidente eleito, e não Trump, o representante desse imperialismo censurador da divergência.

Sobre Neymar e Pelé

Pelas críticas a Neymar e a Pelé, o jornalista e articulista do PCO, Eduardo Vasco, escreve na coluna desta segunda (11): “A esquerda pequeno-burguesa brasileira é moralista. Ela julga os indivíduos pelo seu pensamento ou comportamento, não pelo papel que eles desempenham dentro da sociedade”. Para o jornalista, a esquerda que ataca Neymar e Pelé e curte a censura a Trump tem intelectualidade de “nível baixíssimo”. “(Os jogadores) deveriam ser julgados por seu desempenho como jogadores de futebol (…) Esse é o resultado prático da existência de Neymar e de Pelé”, escreveu. Como defende o marxismo (e isto foi citado por Vasco), “a práxis é o critério da verdade”. Nota: o PCO entende que Bolsonaro é um presidente “ilegítimo”.

Neymar ou Maia?

O artigo do PCO ainda ataca a “esquerda moralista” e diz que é ela que faz acordos com a direita, seja ao apoiar Rodrigo Maia contra Bolsonaro ou ao dar apoio a João Doria (e sua Coronavac). “Nas eleições para a Câmara dos Deputados, apoia Rodrigo Maia. Na questão da vacina, apoia João Doria. Nas eleições municipais, apoia Eduardo Paes. Somente porque esses estariam fazendo declarações ou exprimindo posicionamentos contra Bolsonaro”, comenta. E conclui: “Se defende realmente os interesses populares, a esquerda deveria apoiar Neymar e repudiar Rodrigo Maia. Mas o que ocorre é o oposto”. E durma (ou acorde) com um barulho desses.

11 de janeiro de 2021, 19:58

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