sábado, 27 de fevereiro de 2021

Rapidinhas: Neto não deixou DEM descer à mesma sepultura de Maia

Foto: Divulgação

Davi Lemos

O inconformismo do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), com o impedimento determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que concorresse a mais um mandato para chefiar a Casa ainda ressoa e parece que o estoque de bile do fluminense continua a ser alimentado pelo ressentimento contra o presidente nacional do DEM, ACM Neto. O ex-prefeito de Salvador não quis entrar na briga pessoal de Maia com Bolsonaro e liberou os deputados do DEM para votar em quem quisessem, o que determinou a derrota de Baleia Rossi (MDB/SP). O DEM perderá um deputado – o mesmo Maia – mas manteve o Senado e a boa relação com a Presidência da República. Saldo, ao final, positivo.

O ataque e os revides 1

Maia, em entrevista divulgada nesta segunda-feira (8) pelo Valor Econômico, disse que faltou “caráter” a Neto e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na condução da sucessão na Câmara dos Deputados. Segundo Maia, Neto e Caiado falaram uma coisa, mas fizeram outra: “Falta caráter, né? Você falar uma coisa na frente e operar de outra forma. Falta caráter”, disse Maia ao Valor.

O ataque e os revides 2

Em nota divulgada após a divulgação da entrevista de Rodrigo Maia, ACM Neto afirmou que a narrativa de Maia não correspondia aos fatos e que “dá pena vê-lo deixar, de forma tão lamentável, a posição que exerceu”. Neto ainda pontuou que “Rodrigo Maia se encastelou no poder conquistado e, agora, demonstra surpreendente descontrole”. O ex-prefeito de Salvador também afirmou que Maia é o único culpado pelo próprio fracasso.

O ataque e os revides 3

O governador Ronaldo Caiado também emitiu uma dura nota contra Maia e foi enfático: o caso do ainda colega de partido é de “internação hospitalar” com quadro de “síndrome da ansiedade de poder”. O governador destacou que a foto escolhida pelo Valor para ilustrar a entrevista “identifica a face de desequilíbrio do paciente”. Caiado ainda afirmou: “E o mais grave: ele faz questão de deixar claro que está saindo do Democratas e colocando seu nome a leilão”.

Confira abaixo a nota do Democratas, assinada por ACM Neto

“Em entrevista publicada nesta segunda-feira (8) pelo jornal Valor Econômico, o deputado Rodrigo Maia (RJ) apresenta uma leitura da eleição para a presidência da Câmara que não corresponde aos fatos. Nada mais distante da realidade do que a narrativa que ele vem tentando estabelecer. Não houve traição da Executiva do Democratas, nem adesão ao governo Bolsonaro.

Infelizmente, o deputado Rodrigo Maia tenta transferir para a presidência do Democratas a responsabilidade pelos erros que ele próprio cometeu durante a condução do processo de eleição da Mesa Diretora da Câmara.

No empenho em transferir as responsabilidades pelo seu fracasso, Rodrigo Maia tenta negar que insistiu, até o último momento, na possibilidade de conseguir o aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para se perpetuar no cargo de presidente da Câmara. Todos sabem que Rodrigo Maia tinha um único candidato à presidência da Câmara, que era ele mesmo. Quando o STF derrubou a possibilidade de reeleição, o deputado perdeu força para conduzir sua sucessão e chegou ao final do processo contando com o apoio de apenas um terço da bancada do seu próprio partido.

Rodrigo, que tinha a fama de grande articulador, fracassou nessa empreitada. Essa é a realidade.

Ao invés de escutar quem sempre esteve ao seu lado, e fazer com serenidade e honestidade o exercício da autocrítica, o deputado Rodrigo Maia se encastelou no poder conquistado e, agora, demonstra surpreendente descontrole. A falta de grandeza e a deslealdade causam profundo estranhamento.

A mais grave de todas as falácias de sua narrativa é exatamente a de procurar jogar no colo do Democratas uma conta que não é nossa.

Ganhar e perder é próprio da vida e da política e, no entanto, as atitudes de Rodrigo Maia lembram os tristes exemplos de políticos que se recusam a reconhecer derrotas e não querem se desapegar do poder.

O Democratas é um partido que não tem dono, não somos um cartório. Como presidente, e sem ter um mandato parlamentar neste momento, não posso ser maior que o conjunto da bancada.

Por fim, lamento muito as palavras do deputado Rodrigo Maia e acrescento que não guardo rancor ou ódio de ninguém, porque não me permito ficar refém de sentimentos tão negativos. Diferentemente do que preconizam vozes preconceituosas, ou ingênuas, minha vida pública sempre foi pautada pelo diálogo, pelo entendimento e pelo exercício do equilíbrio entre a razão e a emoção.

Torço muito para que o deputado Rodrigo Maia reencontre o equilíbrio e a serenidade. Rodrigo Maia foi um presidente da Câmara importante para o Brasil e dá pena vê-lo deixar, de forma tão lamentável, a posição de liderança que exerceu”.

Antonio Carlos Magalhães Neto
Presidente Nacional do Democratas”

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