segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

RAPIDINHAS: Netflix, CNBB, Islã e as Portas do Céu

Foto: Divulgação

Davi Lemos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ainda que não tenha mencionado o especial de Natal do grupo Porta dos Fundos que, dentre outros pontos, apresenta Jesus como gay, entrou na briga após alguns prelados já terem se manifestado anteriormente. “Ridicularizar a crença de um grupo, seja ele qual for, além de constituir ilícito previsto na legislação penal, significa desrespeitar todas as pessoas, ferindo a busca por uma sociedade efetivamente democrática, que valoriza todos os seus cidadãos”, diz a nota da CNBB.

Liberdade de expressão

Os bispos católicos, entretanto, afirmam que defendem a liberdade de crença. “A Igreja nunca deixou de promover a arte e a liberdade de expressão. Por isso, a CNBB reitera que toda produção artística respeite ‘os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável'”, afirma outro trecho da nota. Antes da CNBB, o bispo de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, havia pedido que os fiéis cancelassem a assinatura da plataforma de streaming.

Islã

Antes da CNBB, a Associação Nacional dos Juristas Islâmicos (Anaji) divulgou uma nota, na última segunda-feira (9), repudiando o filme da Porta dos Fundos. Na publicação, a Anaji afirmou que o material deturpa a imagem de Cristo, que, na fé islâmica, é considerado um grande mensageiro de Deus. O Islã também crê na concepção virginal de Cristo, filho de Maria. “Não se permite é que uma pessoa intolerante possa agredir qualquer outra, motivada apenas pela sua ignorância e falta de compreensão básica de respeitar a religião alheia, ultrapassando assim os limites da lei”, declarou a Anaji.

Porta dos Fundos

O ator Gregório Duvivier ironizou as ameaças de processos judiciais que vem sofrendo. “No breve tempo em que estive na Terra, em algum momento, vocês me viram processando humorista? Acho que não. Olha que não faltava palhaço na Galileia”, escreveu Duvivier, em artigo no qual fala como Jesus. Porchat, em entrevista realizada em 2013, disse que não faria piadas com Maomé por medo. “Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Mas, de um modo geral, a gente vai fazendo, vai falando”, disse o humorista, na época. Os cristãos católicos e evangélicos afirmam que o Porta dos Fundos realiza essas produções que os desagradam justamente por esse pacifismo dos seguidores deste credo.

Números

Porchat, também protagonista do especial, ironizou há poucos dias o fato de 300 mil pessoas terem assinado petição online contra a produção – ele comparou o número aos 16,2 milhões de assinantes do canal do grupo no YouTube. Na manhã desta sexta-feira (13), entretanto, a petição pública que pede à Netflix que cancele a publicação chegou a 1,36 milhão de assinaturas – mas ainda longe dos números do Porta dos Fundos.

13 de dezembro de 2019, 15:33

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