sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Rapidinhas: Moro, Bolsonaro e o combate à corrupção

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Davi Lemos

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, reiterou, em entrevista realizada na manhã desta segunda-feira (13) para a Rádio Metrópole, que o presidente Jair Bolsonaro não se empenhou no combate à corrupção como havia prometido em campanha. Moro também ressaltou que a proteção da família e de amigos do presidente não era seu papel enquanto ministro; ele reiterou que a saída dele do governo teve como pano de fundo o descumprimento desse compromisso de combate à corrupção por Bolsonaro, ainda que fosse preciso cortar na própria carne.

E o PT?

Uma recente declaração do ex-ministro e ex-juiz foi interpretada como uma “virada à esquerda” de Sérgio Moro pela militância bolsonarista. Ele afirmou que, para ser competitivo nas eleições, o PT precisaria reconhecer os erros. Como os petistas assim não o fizeram, o ex-ministro voltou a ressaltar, na entrevista desta segunda, que um reconhecimento público de culpa seja realizado: Moro, enquanto criminalista, sabe que uma das funções da pena é causar arrependimento nos condenados. Mas essa não é, até o momento, a inclinação do petismo, que insiste em afirmar que o ex-juiz agiu politicamente na condução dos julgamentos em primeiro grau da Lava Jato.

Ceticismo

O ex-juiz também aproveitou a entrevista para provocar o bolsonarismo. Afirmou que o presidente pode chegar forte para a reeleição em 2022 se cumprir a agenda anti-corrupção que foi apresentada nas eleições presidenciais de 2018. Moro, entretanto, disse que não apostaria dinheiro em uma mudança de rumo por Bolsonaro, mas afirmou, com ironia, que gostaria de ser convencido de que ele estaria errado ao afirmar que o presidente da República não recuou. Mas a aliança com o Centrão feita por Bolsonaro mostra que Sérgio Moro não perderia dinheiro se apostasse que Bolsonaro permaneceria convenientemente brando. Moro, por ora, só consegue unir petistas e bolsonaristas nas críticas ao seu trabalho.

13 de julho de 2020, 20:31

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