segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Rapidinhas: Mais uma aula sobre ser de direita

Foto: Reprodução/Instagram

Davi Lemos

O assessor especial do presidente da República, Filipe Martins, seguindo a tendência iniciada pelo ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (leia aqui), começou a realizar aulas para ensinar como ser de direita. Na noite de quinta-feira (7), realizou treze “posts” no Twitter e, no primeiro deles, escreveu que “um dos piores vícios do nascente movimento conservador brasileiro é o excesso de atenção dada à política. Há poucas pessoas em nosso meio que se dedicam a temas alheios, ou mesmo paralelos, à política”.

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As “bolhas” conservadoras, geralmente auto-referenciadas, possuem membros que almejam fazer análise ou militância política. O resultado, diz Filipe, é a “proliferação de análises de péssima qualidade, indignas do nome” e um “enorme desperdício de talentos”. Segundo o assessor de Bolsonaro, é “gente que poderia estar falando sobre literatura, música, cinema, games, ciência, etc e causando um impacto muito maior acaba perdendo tempo com política”.

Rótulos 1

Martins disse que a turma conservadora também gosta de rótulos. Não basta ser músico, comediante, gamer. Tem que ser músico, comediante ou gamer de direita. Se o comediante for de esquerda, não riem, ainda que haja graça na piada. Mas o comportamento também é visto na esquerda: só é bom o músico, comediante ou gamer de esquerda. Seria bom o professor Filipe deixar claro se para ser de direita precisa ser “bolsonarista”; e, no caso do progressista/esquerdista, se precisa ser petista.

Rótulos 2

No caso da esquerda, já há um movimento que busca independência da esfera petista/lulista; uma esfera que consegue ver os crimes cometidos durante as administrações federais entre 2003 e 2018 e que geraram os escândalos do Mensalão e do Petrolão. Na direita, ainda é tímida a ala que consegue enxergar as mutretas do clã Bolsonaro com Queiroz e o ataque a bandeiras que ajudaram a eleger o presidente da República em 2018, como o combate à corrupção e a Lava Jato. Mas, em se tratando de aulas, os alunos sempre podem aprender temas a contragosto do direcionamento do professor. Vamos adiante.

07 de agosto de 2020, 19:11

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