quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Rapidinhas: Futebol, política e jogo sujo

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Davi Lemos

“Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração”. Quem assistiu ao jogo do Brasil contra o Peru na noite desta terça-feira (13), válido pela segunda rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, teve a impressão de viajar a 1970. Ufanismo na narração, elogios ao Governo Federal que “garantiu” que os brasileiros pudessem assistir à partida. Até o resultado foi o mesmo do selecionado comandado por Pelé na copa do Tri: 4×2. A partida de ontem foi transmitida pela TV Brasil – na Bahia, retransmitida pela TVE. A Rede Globo, que detém os direitos de transmissão das partidas de eliminatórias realizadas no Brasil, não conseguiu fechar acordo para transmitir o jogo realizado em Lima (Peru).

A negociação

Após a confirmação de que a Rede Globo não transmitiria a partida e que seria possível assistir somente em canais fechados, o Governo teria entrado em campo para “garantir” aos brasileiros a chance de ver a seleção. A Mediapro, que detém os direitos de transmissão de quase todas as seleções mandantes, com exceção de Brasil e Argentina, ofereceu à Globo o pacote pelos outros jogos por US$ 20 milhões – em valores de hoje, R$ 110 milhões. A Globo rejeitou o valor salgado. Na negociação entre governo e CBF para a transmissão da partida pela TV Brasil, a confederação informou que comprou o direito de transmissão junto à Mediapro e cedeu à TV pública. Não foi informado o valor da negociação.

Novo round

Esse é somente mais um round da briga de Jair Bolsonaro contra a Rede Globo – para quem o presidente já ameaçou não renovar a concessão pública. O então candidato Jair Bolsonaro havia prometido durante a campanha de 2018 acabar com a TV Brasil, bem como com a Agência Brasil de Comunicação. Visto o que foi anunciado ao final da partida de ontem – “Seleção Brasileira é aqui na TV Brasil” – fica claro que o presidente gostou da ideia de ter uma TV para chamar de sua. Apesar de crítico dos Irmãos Castro, quem ter o seu Granma. É a coerência de quem disse que não queria controle da mídia – que constava em programas do PT – mas pratica algo muito próximo ao desejado pelos “companheiros”.

14 de outubro de 2020, 16:46

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