domingo, 7 de junho de 2020

Rapidinhas: E seguimos como bêbados desequilibrados

Foto: Reprodução

Davi Lemos

O Brasil perdeu Aldir Blanc e parece que perdeu também o rumo. Como um transatlântico capitaneado por um ébrio, o país segue atônito diante de manifestações contra a democracia, contra a liberdade de imprensa e pelo golpismo de estado (essa com o eufemismo de “intervenção militar”). Saudade, então, do estadista Dom Pedro II que, ao observar os ataques de jornais republicanos, vaticinou que “imprensa deve ser combatida com mais imprensa”, jamais com ataques a jornalistas.

Nova forma de pêsames 1

Se a patrulha não permite a divergência em mínimos pontos, a Secretaria de Cultura (antigo ministério) não mais emite notas de pesar pela morte de artistas incômodos ao regime. Regina Duarte, como frágil namoradinha, preferiu mandar um recado à família de Aldir – segundo a Veja, o método tem sido o mesmo adotado quando da morte de outros artistas inconvenientes.

Nova forma de pêsames 2

Hoje também se foram Tio Maneco e Shazan quando combaliu ao desânimo o grande Flávio Migliaccio. Na carta de despedida (publicada aqui em Toda Bahia), relatou o quanto é difícil ser idoso nesse país. Regina também não emitiu condolências públicas – coube à filha levar à família de Migliaccio os pêsames.

Após o golpe

Morrer Aldir Blanc após um dia de protestos contra a imprensa e contra os poderes independentes vistos como inimigos é emblemático. Nessas dias, noites e tardes que caem como um viaduto, não haverá de ser inútil a esperança que volta a dançar em corda bamba. A morte de Aldir informa que “o show de todo artista (e de toda voz independente e imune à patrulha) tem que continuar”.

Confira vídeo:

04 de maio de 2020, 18:27

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