domingo, 1 de agosto de 2021

Rapidinhas: clima de eleição e gastos de campanha antecipados

Foto: Agência Brasil

Davi Lemos

Que as eleições de 2022 já começaram, não se discute mais. Aliás, outra interpretação realizada por vereadores de Salvador ouvidos por Toda Bahia é que, não somente as articulações, mas os custos de campanha já estão altos desde agora. “Não tem quem suporte algo assim”, reclamou um edil soteropolitano à coluna. Ele explica: se antes os acordos, notadamente os financeiros, só ocorriam a alguns meses do dia da eleição, neste ano, não somente o clima, mas principalmente as costumeiras acomodações para lideranças partidárias são cobradas muito precocemente.

E os recursos?

Difícil é conseguir cargo e dinheiro para tudo quanto é candidato a liderança. Com a queda de arrecadação batendo na porta, os prefeitos têm resistido a fazer as vontades de vereadores e deputados, e as nomeações para cargos em comissão estão sendo, como se diz no meio, “matracadas”. E a inflação para ajustar um valor para ter o apoio de líderes comunitários tem índices muito mais elásticos que aqueles disponíveis nas mãos dos “pobres” candidatos.

Proteção ao “gado”

Na recente passagem feita pela Bahia, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, provável nome do PDT para concorrer à sucessão de Jair Bolsonaro, afirmou que vai bater em Lula e no atual presidente, mas rejeita qualquer possibilidade de espantar o “gado”, como são chamados pejorativamente os apoiadores do bolsonarismo. Ciro quer conquistar os arrependidos de ter votado no capitão da reserva, mas afirmou durante coletiva que concedeu a veículos baianos, que não vai chamar ninguém de “gado”; e nem de “mortadela”.

Tudo, inclusive nada

Falando ainda do presidenciável pedetista, Ciro disse não acreditar que a CPI da Pandemia realizada no Senado vá dar em alguma coisa concreta (ou seja, crê em “pizza”); mas crê no esclarecimento de alguns fatos relativos à condição considerada desastrosa do governo Bolsonaro. Ou como diria o ex-vice-presidente da República Marco Marciel, falecido no sábado (12): “Tudo pode acontecer, inclusive nada”.

Escola sem presidente

Acabou também o casamento entre o advogado e idealizador do Movimento Escola Sem Partido, Miguel Nagib, com o presidente da República. Bolsonaro, durante a campanha de 2018, bem como os filhos, levantaram as propostas do movimento que visam livrar o ambiente escolar da influência ideológica de esquerda. A sanção pelo presidente da lei 14.164/2021, que inclui a prevenção da violência contra a mulher no conteúdo da educação básica, fez Nagib juntar os trapos e deixar a base bolsonarista.

Dois pastores

A sanção no dia 10 de junho contou ainda com as assinaturas dos pastores e ministros Damares Alves (Direitos Humanos) e Milton Ribeiro (Educação). Nagib entende que a lei é eivada de ideologia de gênero com a justificativa do combate à violência contra a mulher. Nagid chamou a lei de “Cavalo de Tróia”. Integrantes do movimento ironizam e dizem que o divórcio entre o advogado e Bolsonaro foi celebrado por dois pastores.

O terror de Alden

Já dizem na Assembleia Legislativa que Capitão Alden teme mais uma candidatura de Humberto Sturaro Filho a deputado estadual do que ser cassado no Conselho de Ética da Casa pelas ofensas que proferiu contra os parlamentares da oposição. Sturaro encontrou-se há duas semanas com o ministro da Cidadania, João Roma, e deu a entender que quer entrar para a política. Se sair candidato a deputado estadual, deve inviabilizar as pretensões de reeleição de Alden.

Patente

“Alden deve abrir mão da candidatura até por uma questão de patente”, brincou um deputado oposicionista. Enquanto Sturaro foi para a reserva como coronel depois de comandar por anos a Polícia Militar, Alden é capitão licenciado da corporação. Alden enviou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia, na última terça-feira (15), a documentação correspondente à sua defesa e deve depor no dia 7 de julho.

Opinião de ocasião 1

A ocasião, no casos dos políticos, faz a opinião, e o senador Otto Alencar (PSD/BA) demonstra ser dos bons. Durante o depoimento do ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, que é engenheiro, o pessedista afirmou que ele jamais o indicaria para o cargo. “Se o senhor fosse construir uma casa, o senhor contrataria um médico para fazer o projeto? Mas o governador indicou um engenheiro para ser secretário de Saúde”, comparou Otto, que é médico ortopedista. A capital do Amazonas enfrentou um caos no combate à Covid. O senador também criticou o fato de Bolsonaro ter efetivado Eduardo Pazuello, que não é médico, como ministro da Saúde.

Opinião de ocasião 2

Mas em outra ocasião o senador baiano pareceu ser simpático à ideia de ter um não médico como ministro da pasta. Em 12 de julho de 2017, quando discutia um projeto de convalidação de incentivos fiscais que beneficiaria a Bahia, ele fez um apelo ao senador José Serra para que retirasse de pauta requerimento que adiava a votação e comentou: “foi um bom Ministro da Saúde; ninguém pode absolutamente negar sua capacidade no seu trabalho”. Serra, como se sabe, é economista. Em tempo: o secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates, também é engenheiro e vem sendo elogiado pelo trabalho no enfrentamento à pandemia.

20 de junho de 2021, 08:15

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