segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Rapidinhas: Centrão, governabilidade e apostas para 2022

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Davi Lemos

O senador Fernando Collor, em entrevista nesta segunda-feira (14) à Rádio Jovem Pan, avaliou que o presidente Jair Bolsonaro está no caminho certo ao aproximar-se do Centrão para conseguir governabilidade. “Ele vem se aproximando de dois meses para cá, com capacidade e competência, do centro democrático, que são os partidos que desejam estar com ele apoiando sua administração e com isso construindo uma maioria parlamentar”, disse Collor. O ex-presidente disse que, sem essas alianças, não há como o governo se sustentar.

Mudança de base

Essa aproximação mais escancarada ao Centrão representa uma clara mudança de base do presidente da República, afastado já de duas bandeiras que o elegeram: o pensamento conservador (o filósofo Olavo de Carvalho tem feito críticas nesse sentido) e do “lavajatismo”, do qual os principais aliados são políticos pegos na operação ou ministros que não admiram ou invejam a proeminência de nomes como Deltan Dalagnol e Sérgio Moro. Resta o liberalismo que, representado por Paulo Guedes, vê-se mais uma vez na corda bamba após a tentativa de perdão de dívidas bilionárias de igrejas.

Outro núcleo democrático

A união sacramentada nesta segunda-feira (14) entre PDT e DEM em Salvador, com o destaque para a articulação entre o prefeito ACM Neto e o ex-ministro Ciro Gomes parece já desenhar um dos grupos que irão se opor a Bolsonaro em 2022. A questão é ver quanto à direita (ou centro) vai o PDT e quanto à esquerda irá o DEM. Salvador, por assim dizer, é um cenário teste para as eleições presidenciais: Neto, que deve ser candidato a governador, pode conseguir votos da esquerda ao receber apoio de Ciro e pode também pavimentar o caminho na centro-direita para o ex-governador do Ceará tentar a Presidência da República – se a união PDT-DEM vingar também nacionalmente.

14 de setembro de 2020, 19:30

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