quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Rapidinhas: As Osid e o belo exemplo de prestação de serviços via SUS

Foto: Reprodução

Davi Lemos

Nesta semana a grande polêmica gerada em torno do governo Bolsonaro foi a alegada “privatização” do Sistema Único de Saúde (SUS). O Decreto 10.530, que foi revogado, previa a realização de estudos pelo Ministério da Economia para a inclusão de unidades básicas de saúde (UBSs) em Programa de Parceria de Investimentos da Presidência da República. A intenção é tentar melhorar a atenção à saúde que, pelo SUS, continua sendo precária desde a criação do Sistema. Há poucos bons exemplos no Brasil, um deles na Bahia, nas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).

A eficiência

Embora não tenham sido criadas em 1959 para atender pacientes carentes ou indigentes com financiamento exclusivamente público, mas por meio de doações e trabalho voluntário, as Obras Sociais Irmã Dulce transformaram-se com o tempo em modelo de excelência para gestão de recursos pelo SUS por uma instituição privada. Somente em atendimentos ambulatoriais, são mais de 3,5 milhões de procedimentos anuais – esse é somente um dos dados que tornam as Osid modelo a ser seguido, principalmente quando se fala em atendimento humanizado.

Sem demonização

O pensamento hegemônico na imprensa e na academia ainda enxerga qualquer esforço de privatização como “coisa do demônio”. Mas este exemplo muito próximo aos soteropolitanos pode desanuviar a turbidez dos olhares críticos. Sim, a instituição criada por Santa Dulce dos Pobres é privada – não é uma estrutura do governo como muitos pensam – e financiada quase integralmente com recursos do SUS. A proposta do governo fala da atenção básica, e as Osid prestam atendimento especializado e de alta complexidade, porém fica desenhado um caminho, uma inspiração para a boa gestão dos recursos provenientes do trabalho dos brasileiros.

Por falar em Salvador …

Nesta semana, a campanha da candidata a prefeita de Salvador, Major Denice (PT), incorre em erro crasso quando critica a falta de cobertura da atenção básica à saúde em Salvador; promete levar a cobertura a 80% da população. A meta é excelente, mas a campanha insiste em induzir o eleitor a pensar que nada foi feito em oito anos da gestão do atual prefeito ACM Neto – a cobertura em 2013 era de 18%, está em 56% e pode chegar a 60% até o final do ano. Ou seja, é muito mais fácil chegar a 80 partindo de 56 (ou 60) que daqueles 18.

Erro Crasso

Major Denice – e também os demais candidatos de oposição – não deveriam apostar na desinformação como tática de campanha (já falamos sobre isso aqui). Hoje é muito fácil conferir se uma peça de campanha expressa a realidade. Como militar, a petista deveria entender que a estratégia vence, não a pura vontade de vencer. Há 2080 anos, o general romano Marco Lucinius Crasso achou que, com sete legiões (50 mil soldados), conquistaria os Partos, que ocupavam boa parte do Oriente Médio. Sem boa estratégia, morreram quase todos os soldados, inclusive o general; ou seja, a vontade não suplantou a realidade.

30 de outubro de 2020, 20:35

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