quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Rapidinhas: As cuecas expostas da política brasileira

Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

Davi Lemos

Poderosas cuecas, ou melhor, cuecas de “poderosos” tornaram-se tema recorrente nesse cenário de pandemia no Brasil e no mundo e, doravante, discute-se a possibilidade de verificação de enxoval para a posse em cargos eletivos como o de senador ou de ministro de tribunais superiores (contém ironia, não fato). Estão aí exemplos das vestes do senador Chico Rodrigues (DEM/RR) e a gafe do ministro do STJ Néfi Cordeiro. Recheadas ou indiscretas, as peças íntimas dos marmanjos togados ou parlamentares voltaram a deixar as modestas e ocultas posições, trocando os varais para desfilar em varas criminais ou, desavisadas, nas mais altas cortes brasileiras, ainda que virtualmente. Mas a novela das cuecas na política brasileira não começou em 2020.

O início genuíno

A história de políticos que deixaram famosas ou mais valiosas as suas cuecas começou em 2005, quando José Adalberto Vieira da Silva, então chefe de gabinete do deputado estadual José Guimarães (PT/CE), foi preso no Aeroporto de Congonhas tentando ir de São Paulo para Fortaleza com US$ 100 mil na cueca. O episódio dos “dólares na cueca” (havia mais R$ 200 mil em uma mala, utensílio mais comum para o transporte de quantias suspeitas) acabou por causar a renúncia de José Genoino da presidência do PT. Voltando outubro de 2020, em tempos de pandemia, acredita-se haver subnotificação de casos de cuecas recheadas com dinheiro – e de malas também.

Uma atualização e uma correção

“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”. A frase sempre aparece no noticiário ou nas redes sociais quando estamos diante de grandes e corriqueiros escândalos na política; mas uma atualização é necessária: “Políticos e cuecas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”. Ou seja, não tão frequentemente como fraldas, de tempos em tempos, políticos e cuecas aparecem sujas, notadamente quando exageram na avareza ou na gula. Agora a correção: essa brilhante frase é às vezes atribuída a Eça de Queiroz ou a Benjamin Franklin; a verdade, porém, é que o autor da pérola, infelizmente, é desconhecido.

O pum do procurador e a ousadia do hermano

As sessões online de parlamentos ou de órgãos de justiça também renderam boas gafes ou cenas ousadas. Na Argentina, como noticiou o Toda Bahia, o deputado Juan Emilio Ameri foi suspenso em setembro após protagonizar cena sexual em plena sessão virtual do Congresso argentino. Os colegas do parlamentar, pelo visto, não curtem voyeurismo. Por aqui, o procurador Paulo Prado, em junho, esqueceu que o microfone estava aberto e soltou um pum em plena videoconferência do Tribunal de Justiça do Mato Grosso. As imagens não atestam, mas seria bom que Prado estivesse usando cuecas; afinal, nunca se sabe o que pode vir após um pum.

23 de outubro de 2020, 20:09

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