domingo, 27 de setembro de 2020

“PT e PCdoB são ‘tchutchuca’ pro governo estadual e tigrão para os governos municipal e federal”, diz Rodrigo Rara na CMS

Foto: Reprodução

Thyara Araujo

A audiência pública para discutir a situação atual da previdência do servidor municipal foi marcada por clima quente na manhã desta quarta-feira (12), na Câmara Municipal de Salvador (CMS). Do púlpito, o advogado e coordenador estadual do movimento suprapartidário Livres, Rodrigo Rara, afirmou que “o PT e o PCdoB são ‘tchutchuca’ pro governo estadual e tigrão para os governos municipal e federal”. Ele saiu vaiado pela plateia.

Durante a atividade, de iniciativa da Ouvidoria da CMS para debater pontos da reforma que será apresentada pelo Executivo para apreciação dos vereadores após o Carnaval, Rodrigo Rara afirmou que “o serviço público que diz que é preciso ter solidariedade com a previdência municipal mas não tem que ter solidariedade com a saúde pública e com a educação, não é um serviço público que represente o que eu imagino. Quero dizer que, ao contrário do PCdoB,  da vereadora Aladilce [Souza], e do PSB, do vereador Sílvio Humberto, eu não tenho duas posições sobre a reforma do governo Rui Costa, Bolsonaro ou municipal. Eu sou à favor das três”.

Rodrigo afirmou ainda que, após a fala dele, “a vereadora Aladilce logo pedirá votos para candidata do PCdoB, que não compareceu na votação, e o vereador Sílvio Humberto vai pedir votos para sua candidata, a deputada Fabíola [Mansur]. Nesse momento, vaias foram pronunciadas pela plateia e Aladilce, ao microfone, pediu para que o tema da audiência fosse retomado, alegando que o objetivo de Rara era “desestabilizar o auditório”.  “Não vamos entrar no jogo dele. O que ele quer é isso. Vamos respirar a paz. Não vamos deixar que um provocador atrapalhe o nosso trabalho”, afirmou ela.

Rara se defendeu e disse que “a audiência pública dá acesso a qualquer trabalhador ou servidor de participar e que a ouvidoria não é do PCdoB ou do PT, mas sim da Câmara Municipal”.

Já fora da sala de audiência, Rodrigo Rara afirmou, em entrevista à rádio Câmara: “Essa turma representa de fato o professor que está agora dando aula lá em Periperi? Essa turma representa os servidores administrativos? Representa a pessoa que era da UPA de Roma e foi fechada pelo governo do estado? É uma pena que algumas pessoas se coloquem como massa de manobra. Queremos quebrar esse monopólio de diálogo que a esquerda quer fazer para dizer que Rui Costa é uma pessoa bonitinha, fofinha”.

Em entrevista ao Toda Bahia nesta tarde, Rodrigo afirmou: “meu objetivo hoje foi dizer que o PT e o PCdoB são ‘tchutchuca’ pro governo estadual e são tigrão para os governos municipal e federal. Eu critico o mérito? Critico também, porque sou favorável às três reformas da previdência, mas critico, sobretudo, a hipocrisia. Existe um raciocínio por trás disso, de se blindar para as eleições que vão acontecer daqui a alguns meses. Uns dizem que passaram mal e não foram votar, outros dizem que são contra, e aí gera uma cortina de fumaça no imaginário da opinião pública justamente para criar uma situação de ‘eu participo e não participo’. Eu queria levar a mensagem técnica de que a reforma é necessária, sua forma precisa ser respeitada, e não é possível aprovar a reforma da previdência debaixo de botina de tropa de choque e, claro, expor os hipócritas do PT e do PCdoB”.

Sobre a acusação de querer “desestabilizar” o auditório, o coordenador do Livres se defendeu: “Gostaria de fazer uma correção sobre a minha fala hoje na Câmara, quando disse que nunca havia trabalhado na iniciativa pública. Eu já trabalhei sim, mas nunca como advogado. Desde que alcancei a maturidade profissional e me bacharelei, eu só trabalho na iniciativa privada. Faço esse registro para dizer que eu não fui enviado por ninguém, sempre defendi ideias liberais. Hoje foi criada uma arquibancada para ela [Aladilce], eu cheguei lá e desmanchei o palanque e ela me acusou de ser enviado do prefeito [ACM Neto]”.

O Toda Bahia tentou contato com a vereadora Aladilce, mas até o momento desta publicação ela não havia respondido às mensagens enviadas por nossa equipe.

O prefeito ACM Neto pretende apresentar diretamente aos vereadores a proposta de Reforma da Previdência dos servidores municipais de Salvador. A previsão é que a matéria seja enviada para apreciação do Legislativo em março, em data ainda a ser definida.

Vídeo

Rodrigo chegou a compartilhar em seu Instagram o momento em que foi vaiado após descer do púlpito:

 

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Vocês já foram xingados, vaiados e agredidos por 300 sindicalistas pelegos do PT/PC do B hoje?

Uma publicação compartilhada por Rodrigo Rara – Salvador/BA (@rodrigorara) em

PEC da Previdência

Na semana passada, segundo informa o A Tarde, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) encaminhou um ofício à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), solicitando informações sobre os argumentos legais do valor total pago aos deputados estaduais, por conta da convocação extraordinária do governador Rui Costa (PT), em janeiro, para apreciação de projetos de lei e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 159/2020, que modifica regras do sistema previdenciário dos servidores público do Estado da Bahia.

A ação do MP-BA, que é parte de uma representação movida por Rodrigo Rara, está sendo analisada no Grupo de Atuação Especial de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (GEPAM), sob coordenação da promotora Rita Tourinho. Rodrigo questiona a legalidade do pagamento dos salários aos deputados.

Na justificativa ao MP, ainda de acordo com o A Tarde, Rodrigo cita duas Ação direta de inconstitucionalidade (Adin) julgadas como procedentes pelo Supremo Tribunal Federal (STF), questionando valores pagos para os deputados estaduais do Pará e de Goiás. Em ambos os casos, os parlamentares tiveram que devolver o recurso recebido, por força do art. 57 da Constituição Federal.

O art. 57, § 7º, da Constituição, veda o pagamento de parcela indenizatória aos parlamentares em razão de convocação extraordinária.

12 de fevereiro de 2020, 19:35

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