terça-feira, 14 de julho de 2020

Pesquisa atesta ineficácia de equipamento de proteção de dentistas

Foto: Agência Brasil

Da Redação

A constatação de que o Brasil apresenta mais de 80 mil profissionais de saúde infectados pelo novo coronavírus e, a maioria, usa nos hospitais jalecos feitos de tecido não tecido (TNT) acendeu o alerta na cirurgiã-dentista e professora titular de Periodontia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliane dos Santos Barboza.

Eliane resolveu fazer uma pesquisa para ver se os equipamentos de proteção individual (EPIs) disponíveis no mercado estavam de fato protegendo esses trabalhadores. A professora se juntou a outros dois professores e a alunos de pós-graduação e mestrado para testar a eficácia dos equipamentos de proteção individual (EPIs) de TNT para os dentistas. A conclusão é que não foi comprovada eficácia nos três tipos de gramaturas usados (40 gramas por metro quadrado g/m², 60g/m² e 80g/m²).

Simulação
“Nós simulamos, com manequim, uma pessoa sentada em uma cadeira odontológica e um profissional odontólogo fazendo os procedimentos de aerossol em uma posição de 12 horas. Na posição de 12 horas, a gente fica por detrás do paciente e recebe muito aerossol”. Essa simulação foi feita à média dos cinco profissionais, para dar uma noção de espaço, altura do manequim, tudo dentro dos princípios de ergonomia.

Uma superfície lisa simulou o corpo do profissional. A água foi tingida e Eliane acionou a caneta de alta rotação em posições padronizadas. O aerossol foi usado como se estivesse sendo feito um procedimento odontológico normal durante cinco minutos, “que é um tempo mínimo”. Conforme explicou, para fazer uma raspagem geral na boca de um paciente com ultrassom, que também gera aerossol, leva-se no mínimo, meia hora. Para fazer o procedimento de uma coroa leva-se mais de cinco minutos.

“Nós fizemos um tempo mínimo de trabalho e chegamos à conclusão que os três grupos de gramatura, tanto na sua forma simples como dobrada, todos passavam aerossol.

Eliane quer orientar os colegas e a comunidade científica mundial sobre o que podem comprar para usar com segurança. Enquanto isso não ocorre, ela recomendou que os profissionais de odontologia usem uma capa plástica por baixo do jaleco descartável. “Aí não passa nada, nenhum microorganismo”.

29 de junho de 2020, 21:31

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