“Pela Bahia ele peitou general e parou sermão de padre”, lembra Félix Mendonça sobre o amigo ACM
Por Cláudia Nogueira
Amigos de longas datas, Antônio Carlos Magalhães e o ex-deputado federal Félix Mendonça vivenciaram muitos acontecimentos importantes e partilharam estórias emocionantes. São apenas seis meses de diferença de idade entre os dois e mais de 50 anos de amizade, mais precisamente 54 e, neste 20 de julho de 2017 – quando completam 10 anos da morte do ex-senador que faria 90 anos em 4 de setembro próximo – o Toda Bahia procurou o ex-deputado para falar um pouco da convivência com ACM.
Tudo começou em 1963, quando Mendonça foi eleito prefeito de Itabuna. Ele apoiou o mandato de deputado federal de ACM e desde então seguiram lado a lado, na política e na amizade. “Eu me elegi em 63 e passei a ser amigo dele. Alguns anos depois saí para deputado estadual e apoiei Antônio Carlos para deputado federal em Itabuna. Daí em diante a amizade continuou”, contou.
Ao Toda Bahia, Félix fez questão de ressaltar as principais qualidades do amigo e, de acordo com ele, a mais inconfundível era o amor “exagerado” pela Bahia. “Antônio Carlos foi o maior líder que eu já conheci. Ele lutava muito pela Bahia e deixou de ser candidato à presidência da República para se dedicar absolutamente ao Estado. Era um amor exagerado voltado apenas para os interesses da Bahia”, disse.
Conforme relato de Félix, o amor do amigo ACM pela Bahia era tão grande que ele ficou conhecido por comprar verdadeiras brigas em nome do seu Estado. “Tenho uma história interessante para contar, de quando Antônio Carlos peitou um general comandante da Sudene – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. Na década de 70, o general Ernesto Geisel, então presidente do Brasil, anunciou em praça pública a construção do Polo Petroquímico na Bahia. Algum tempo depois, o general comandante da Sudene, do qual não me recordo o nome, afirmou que ainda não sabia se o Polo seria de fato instalado aqui. Mesmo sabendo que o superintendente era militar e estávamos em plena ditadura, Antônio Carlos reagiu e chegou a chamar o comandante de mentiroso. Aquilo gerou um verdadeiro frisson na política, porque ele não poderia ter tido uma reação tão altiva”, relatou, rindo.
Félix lembrou também de quando o amigo parou o sermão de um padre, durante uma missa no interior da Bahia, que criticava o Estado para dizer que ele era mentiroso. “Esses fatos mostram o quanto ACM era apaixonado pela Bahia. Ele era um líder autêntico, verdadeiro e corajoso. A coragem se exacerbava quando havia qualquer coisa contra a Bahia e ele sempre reagia de maneira verdadeira”, afirmou.
Questionado pelo Toda Bahia se faltam políticos como ACM nos dias de hoje, Mendonça respondeu com uma gargalhada e declarou que “é difícil ter um político igual a ele, que tenha a força da coragem dele para reagir da forma que ele reagia”. Para Félix, o respeito ao ex-senador foi conquistado por conta do próprio posicionamento firme dele. “Ele era muito respeitado e, em razão disso, as pessoas respeitavam ele, o governo federal todo respeitava Antônio Carlos. Ele teve o comando da Bahia por tanto tempo porque tinha uma posição bem nítida, uma posição ideológica forte”, explicou.
Outras qualidades de ACM enaltecidas pelo ex-deputado federal foram a sabedoria e a honestidade. “Ele era muito sábio. Teve a sabedoria de escolher jovens para ocupar o seu governo e isso foi muito positivo. Além disso, ele era honesto e não transigia a lei. Todos os governos dele foram governos honestos formados por pessoas honestas”, disse. Perguntado sobre o aprendizado que teve com o amigo, Félix disse que muito do que ACM fazia não dava para ser ensinado, pois era único e próprio dele. “A liderança de Antônio Carlos você não aprende, aquilo nasce com ele. Ele era assim desde jovem, quando era estudante. Ele tinha um comportamento que era muito pessoal. Eu aprendi muito da minha vida e trajetória política com ele”, finalizou.









