quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

‘Pedro Caroço’: Genival deu uma alcunha a Zé Dirceu na clandestinidade

Foto: Divulgação

Da Redação

Um dia depois de ser sancionada a Lei da Anistia, em 28 de agosto de 1979, o economista Carlos Henrique Gouveia de Melo revelaria à esposa, Clara Becker, sua verdadeira identidade: José Dirceu, que atuou em movimentos de esquerda contra a repressão militar e chegou a participar do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969.

Zé Dirceu vivia na clandestinidade na pequena cidade paranaense de Cruzeiro do Oeste, a 550 km de Curitiba. Ele havia chegado ao local depois de um período exilado em Cuba, onde fez uma cirurgia plástica, e retornou ao Brasil com uma nova identidade.

Lá conheceu Clara, dona de uma confecção de roupas, o que lhe valeu o apelido tirado da música de Genival Lacerda, “Severina Xique-Xique”.

‘Pedro Caroço’, na composição de Genival, andava “de olho na butique dela”. José Dirceu ficou de olho na loja de Clara, pouco tempo depois de ter chegado à pequena cidade. O apelido foi colocado pelo alfaiate e, mais tarde, sócio de Dirceu, Wilson Bellini.

Os dois tiveram juntos um filho. Após a Lei da Anistia, ele voltou a Cuba para uma segunda plástica, para depois retornar ao Brasil, como se não tivesse voltado desde 1969.

Uma matéria da Folha de S. Paulo, de 2004, relatou o retorno de José Dirceu à cidade, já como Ministro da Casa Civil do governo Lula, antes do escândalo do mensalão. Na ocasião, Clara contou que “Carlos”, e não José Dirceu, foi o grande amor da sua vida.

07 de janeiro de 2021, 12:26

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