sexta-feira, 10 de abril de 2020

Parlamentares classificam fala de Bolsonaro como “irresponsável”

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Da Redação

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira (24) não foi dos mais felizes. A fala causou reboliço no meio político e os parlamentares, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagiram com perplexidade e irritação. Bolsonaro criticou o fechamento de escolas, atacou governadores e culpou a imprensa pela crise provocada pelo coronavírus no Brasil.

Até o momento, o Brasil registra 46 mortes e 2.201 confirmações da doença. “Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque”, disse Alcolumbre.

A presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), se mostrou perplexa após o pronunciamento. “Adianta comentar?”, respondeu à Folha quando procurada.

Já o líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que Bolsonaro superou “todos os limites da irresponsabilidade”.

“[Ele] Ataca todo mundo, questiona o isolamento social, vem com uma tese maluca de que a Itália tem um clima mais frio. Vai passar para a história como a primeira vez em que um chefe de Estado usou a cadeia de rádio e TV para espalhar mentiras, mentiras que podem levar as pessoas à morte”, criticou.

Na Câmara, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) se disse frustrado com a reação do presidente. “Quando mais precisamos de um líder que una o país, mais ouvimos um presidente que luta contra inimigos imaginários. O povo preocupado em salvar as pessoas e o presidente preocupado em acirrar disputas políticas”, afirmou. “Além disso, é angustiante o presidente contradizendo o ministro Mandetta [Saúde], o que confunde a população num momento que precisamos de segurança”.

O pronunciamento também foi tachado de contraditório pelo deputado Fábio Trad (PSD-MS). “As medidas que o próprio Ministério da Saúde está adotando e recomendando não são compatíveis com um resfriadinho e uma gripezinha. Elas são compatíveis com uma patologia severa de gravidade acentuada.”

Na visão de outros parlamentares, Bolsonaro foi irresponsável e inconsequente.

“O presidente dobrou a aposta do discurso lunático e colocou em xeque as políticas de isolamento defendidas pelo seu próprio ministro da Saúde”, afirmou o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP). “Em vez de propor soluções, preferiu atacar a imprensa, os governadores e fazer piada em rede nacional. Tragédia anunciada.”

24 de março de 2020, 23:49

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