quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Jornalista que denunciava ação de facções na fronteira com Paraguai é executado

Foto: Reprodução

Da Redação

O jornalista Léo Veras, conhecido por denunciar crimes na fronteira entre Brasil e Paraguai, foi executado com pelo menos 12 tiros de pistola na noite desta quarta-feira (23) na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na divisa com Ponta Porã (MS).

A vítima já havia recebido ameaças por criticar ações de narcotraficantes na região, principalmente do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul.

Mais conhecido como Léo Veras, Lourenço Veras era dono do site Porã News, especializado em notícias policiais, editado em português e espanhol. O jornalista nasceu no Paraguai e também tinha nacionalidade brasileira. A investigação do crime é feita pelas polícias dos dois países.

Crime

Léo Veras jantava com a família no quintal de sua casa quando três homens encapuzados desceram de um Jeep Cherokee e fizeram os disparos. Veras tentou fugir, mas recebeu tiros de pistola calibre 9 mm nas costas e na cabeça. Ele foi levado a um hospital de Pedro Juan, mas já chegou sem vida.

De acordo com o secretário Antonio Carlos Videira, Veras era alvo de ameaças. “Ele era contundente em críticas à ação do narcotráfico na região da fronteira e vinha recebendo ameaças”, diz. “Recentemente ele foi entrevistado em reportagem de alcance nacional denunciando as facções que agem na fronteira, especialmente o PCC. Por conta disso, sua relação com as autoridades e forças policiais era muito boa, mas certamente desagradava o crime”.

No mês passado, Veras noticiou com destaque a fuga de presos do PCC em Pedro Juan Caballero e acompanhou a caçada aos fugitivos pelas polícias dos dois países. O secretário disse ter conversado com autoridades paraguaias e definido linhas de ações conjuntas para investigar a execução.

De acordo com o promotor de Pedro Juan, Marco Amarila, que está à frente da investigação, a esposa de Veras contou que ele estava muito apreensivo e denotava temor de ser assassinado. Ela não soube dizer, no entanto, de onde partiriam as ameaças, mas repassou à investigação algumas características dos assassinos.

13 de fevereiro de 2020, 15:07

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