sábado, 23 de março de 2019

Governo Bolsonaro vai começar em busca de alguém que aponte um caminho

Davi Lemos

Caminho com pedras

O governo Bolsonaro inicia somente em 01 de janeiro, mas foi ágil em calçar botas cheias de pedras – pedras no sapato que o novo governo trouxe voluntariamente para machucar a sola dos pés. Os desconvites à posse a representantes de Cuba e da Venezuela mostram que o bolsonarismo desconhece o conselho de Sun Tzu: “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. E os regimes ditatoriais cubano e venezuelano sabem o poder da propaganda.

China e Rússia

Comprar briga com Venezuela e Cuba é também provocar rivais poderosos como China e Rússia, duas potências mundiais com arcenal nuclear. Apostar na relação estreita com Trump é também arriscada, pois nada garante que ela durará até a próxima eleição norte-americana; mas, sob o comando de Ernesto Araújo, o Itamaraty preferirá manter relações com partidos e não com nações. A alternância de poder entre republicanos e democratas nos EUA é histórica. Quando retornarem os democratas (que é a esquerda norte-americana), o Brasil correrá o risco de não ter potências mundiais como aliadas.

Provocações

O governo Bolsonaro entende que Cuba tentou desestabilizar seu governo ao chamar de volta, sem prévio aviso, os médicos cubanos integrantes do Mais Médicos. Maduro, por sua vez, sempre apostou na vitória do petismo para ter no Brasil um aliado. Mas romper as relações diplomáticas com as duas nações sob o argumento que são ditaduras tira do Brasil condições para ter, in loco, informações sobre a real força desses regimes junto à população. Mas o Brasil também decidiu comprar briga com os países árabes, ao transferir para Jerusalém a representação diplomática frente a Israel.

Tem o Queiroz

O caso revelado por dados do Coaf de que um ex-assessor de Flávio Bolsonaro (deputado estadual e senador eleito pelo Rio de Janeiro) movimentou R$ 1,2 milhão em suas contas no período de um ano estilhaça muitas vidraças nas janelas do governo bolsonarista. Fabrício Queiroz não explicou ainda a origem do dinheiro movimentado em sua conta e isso desfaz a aura de incorruptibilidade dos Bolsonaro. Ainda que o assessor do filho do presidente eleito seja somente o 17° em volume de movimentação na conta na Alerj (o que mais movimentou foi um assessor de um deputado petista), não explicar o fato torna um dado de relatório em escândalo.

Sem Norte e sem Nordeste

Chama também a atenção o fato de o futuro governo Bolsonaro não contar com nenhum representante do Norte e Nordeste. Jair Bolsonaro foi às redes sociais e explicou que nenhuma de suas indicações seguiram critérios estritamente técnicos. “Não saí perguntando a região de nascimento, cor da pele ou sexualidade de cada um, já que isso é irrelevante para as demandas de nosso país”, escreveu Bolsonaro na sua página no Facebook.

22 de dezembro de 2018, 17:06

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