Ghosn fala pela primeira vez no Líbano, mas não diz como fugiu do Japão
Redação
O ex-presidente da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, fez, nesta quarta-feira (08) sua primeira aparição em público desde que fugiu do Japão. Ele reafirmou inocência em entrevista coletiva em Beirute, no Líbano.
O brasileiro foi preso em 2018, acusado de irregularidades financeiras pela Justiça japonesa, e aguardava julgamento em prisão domiciliar até escapar de Tóquio, no fim do ano.
O encontro com jornalistas durou 2h30, mas Ghosn não explicou como conseguiu fugir.
Ele disse que deixou o Japão porque os “princípios dos direitos humanos foram violados” com sua prisão e que a Justiça japonesa o privou de seus documentos de defesa. Afirmou ainda que esperava mais ajuda do governo brasileiro.
“Fui brutalmente retirado de minha família”, completou o ex-executivo, que nasceu no Brasil, filho de libaneses, e tem cidadania libanesa e francesa.
Carlos Ghosn afirmou que fugiu porque foi perseguido pelas autoridades japonesas e pela Nissan. Ele revelou que seus advogados vão recorrer da ordem do alerta vermelho Interpol, para sua prisão, e que ele sabe que, por enquanto, não pode deixar o Líbano.
Ajuda
Ele reafirmou inocência quanto às acusações de fraude financeira, e atribuiu a perseguição à redução de desempenho da montadora, no início de 2017. O executivo revelou, ainda, que negociava a fusão da Nissan-Renault com a Fiat Chrysler (FCA).
Ghosn disse também que esperava mais ajuda do governo brasileiro, afirmando que o presidente Bolsonaro teria dito que não falaria com autoridades japonesas sobre seu caso, para não atrapalhar as investigações.
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