sábado, 9 de maio de 2026

Garotinho afirma que não é igual ao ex-aliado Sérgio Cabral

Thyara Araujo

Depois de um mês na cadeia, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) afirma que não é igual ao ex-aliado Sérgio Cabral (PMDB), que continua preso. Ele atribui a condenação por crime eleitoral a uma vingança por ter acusado o sucessor de corrupção. “As diferenças entre nós são absurdas. Nele você encontra sinais contundentes de riqueza: barras de ouro, joias, mansões, iates. Em mim, não”, diz, segundo a Folha de S.Paulo.

Apesar de rejeitar a comparação, Garotinho repete argumentos usados pelo desafeto em depoimentos à Justiça: diz que foi alvo de delações falsas e reconhece que é amigo de empreiteiros, mas nega ter pedido doações ilegais. Ele também diz ter se inspirado em Nelson Mandela (1918-2013) na cadeia. No início do mês, Cabral se deixou fotografar com uma biografia do líder sul-africano antes de um interrogatório.

Questionado sobre o porquê de acreditar que foi preso por uma perseguição, Garotinho afirmou: “Os fatos mostram isso. A primeira prisão ocorre logo após minha denúncia na Procuradoria-Geral da República. A segunda é no dia seguinte da audiência de conciliação com o desembargador Luiz Zveiter [ex-presidente do TJ-RJ], onde eu me recuso a me retratar das coisas que havia dito. A terceira logo após eu protocolar e ter um encontro pessoal com a presidente do CNJ para entregar documentos que o comprometeriam. Não tem como não ser isso”.

Garotinho afirmou que foi agredido na prisão. Perguntado sobre por que, na sua avaliação, esse caso não foi concluído, ele disse: “O retrato falado estava 99% feito, só faltava botar o nariz. Aí dá pane no sistema, e nunca mais voltei lá. “A delegacia e o governo dizem que o senhor se autolesionou”, questiona o repórter. “A Seap [Secretaria de Administração Penitenciária] está caindo em contradição porque instaurou um inquérito há um mês e a primeira pessoa a ser ouvida fui eu, ontem, antes de sair”.

23 de dezembro de 2017, 18:35

Compartilhe: