quinta-feira, 9 de abril de 2020

Fotos de corpo de miliciano fortalecem suspeita de queima de arquivo

Foto: Reprodução

Da Redação

Reprodução/Veja

Imagens obtidas pela revista Veja do corpo do miliciano Adriano da Nóbrega reforçam a suspeita que a morte dele tenha sido motivada por queima de arquivo. Segundo a reportagem, o médico legista, Malthus Fonseca Galvão, à pedido da revista, analisou as imagens, sem saber da identidade do morto.

Ele chamou a atenção para as marcas vermelhas localizadas próximas da região do peito, o que os peritos chamam de “tatuagem”, o que indicariam um tiro de curta distância. Mas a “curta distância”, de acordo com o legista, depende da arma e da munição. “Seriam 40 centímetros, no máximo, imaginando um revólver ou pistola. Mais que isso não”.

“Pode ter sido troca de tiros? Pode. Pode ter sido uma execução? Pode. Qual é o mais provável? Com esse disparo tão próximo, o mais provável é que tenha sido execução”, apontou.

Outro ponto destacado por Galvão é uma marca que aparenta ser um tiro na região do pescoço. “Pode ter sido um disparo após a vítima ter caído no chão, porque a imagem me sugere ser de baixo para cima, da direita para a esquerda, em quase 45 graus. Esse disparo poder ser o que povo chama de ‘confere’, explicou.

A reportagem ouviu um segundo especialista em medicina legal, que solicitou anonimato. Ele apontou como possível sinal de execução o disparo na lateral do corpo de Adriano, provavelmente feito quando ele estava com os braços erguidos, em sinal de rendição. Para esse perito, se tivesse havido troca de tiros, essa contusão teria de ser acompanhada de ferimentos no braço esquerdo.

Esse mesmo perito observou que um dos disparos – no pescoço, abaixo da mandíbula, pode ter sido feito a curtíssima distância, cerca de 15 centímetros.

Familiares e conhecidos do miliciano estão certos de que gouve execução. Adriano da Nóbrega era considerado peça-chave para o esclarecimento de da expansão das milícias no Rio de Janeiro e o esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador da República.

14 de fevereiro de 2020, 08:26

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