segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Faroeste: Escutas revelam que falso cônsul deu calote em suspeitos de operar esquema no TJ

Foto: Divulgação

Da Redação

Os diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF), com autorização judicial, mostram que o falso cônsul de Guiné-Bissau, Adailton Maturino, deu calote em operadores do esquema de grilagem e venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ). Os diálogos constam em um relatório da PF obtido pela coluna Satélite, do Correio*.

Em uma conversa de aproximadamente 20 minutos, interceptada na manhã do dia 8 de maio do ano passado, o advogado João Carlos Novaes, alvo da quarta fase da Operação Faroeste, faz queixas a um homem não identificado sobre o atraso no repasse destinado a ele por Maturino, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) como mentor do esquema.

“Secou lá a fonte, meu amigo. Seu Adailton tá devendo (…). Já tem sete meses sem receber dinheiro”, diz Novaes. Mais adiante, ele informa que o débito se refere a parcelas de R$ 30 mil mensais não quitadas pelo falso cônsul. “Fora o grande que ele me repassa”, emenda.

Na conversa, o advogado critica a vida de ostentação adotada por Maturino com dinheiro que teria origem na grilagem de terras do Oeste baiano através de conluio com magistrados do TJ acusados de participar do esquema.

“Tô no limite. O cara [Maturino] tem um avião e tem um barco”, dispara Novaes. “Quanto mais eu ganho dinheiro, mais eu sumo do ar”, diz o advogado.

“Ele tem essa necessidade, doutor, de ficar parecendo árvore de Natal, se pendurando de ouro”, complementa o interlocutor não identificado.

A PF, ao todo, interceptou 105 telefones ligados a alvos da operação Faroeste.

04 de fevereiro de 2020, 09:56

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