Exclusivo: Rogério Ferrari lança livro e fala ao Toda Bahia sobre os 30 anos da queda do Muro de Berlim
Thyara Araujo
O fotógrafo e antropólogo Rogério Ferrari lança, neste sábado (9), a partir das 14h, no Centro Cultural de Olivença, em Ilhéus, o livro Parentes. Ao Toda Bahia, Ferrari, que é de Ipiaú, no Sul da Bahia, falou sobre a proposta e o processo de criação do seu volume mais recente no âmbito do projeto Existências-Resistência e relembrou o momento histórico da queda do Mundo de Berlim, ocorrido há exatamente 30 anos, em que ele estava presente.
O livro é resultado do percurso do fotógrafo por diferentes regiões do estado para retratar a diversidade e a resistência dos povos indígenas na Bahia. Questionado sobre a escolha do nome da obra, Ferrari afirmou: “O nome Parentes tem dois sentidos: os próprios índios de todo o Brasil se referem a eles mesmos desta forma, ressaltando a condição de um grande parentesco e o sentimento de uma família que não está pautada no parentesco biológico, mas pela história em comum. O outro sentido é para sugerir também uma ideia de parentesco entre nós, principalmente como baianos, que temos uma relação de parentesco não biológico com os indígenas, mas compreendemos essa relação como parte da nossa herança. É uma forma de nos solidarizarmos com eles, que fazem parte da nossa história”.
De acordo com Ferrari, o processo de criação da obra se deu em, aproximadamente, três meses, período em que ele visitou indígenas de várias partes da Bahia a exemplo das nações Pataxó, Pataxó Hã Hã Hãe, Tupinambá, Pankaru, Pankararé, Tuxá, Atikun, Kaimbé, Tumbalalá, Kiriri, Kantaturé, Tuxi, Kariri-Xocó e Truká. A obra é composta de 64 fotografias em preto e branco, além de textos contextualizando as imagens.
No dia que marca a passagem dos 30 anos da queda do Muro de Berlim, o chamado “muro da vergonha” que durante 28 anos separou a histórica capital germânica em duas até a reunificação da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha) e da Alemanha Oriental (República Democrática Alemã) em um só país, o baiano, que morou na antiga Alemanha Oriental num programa do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão, relembrou ao Toda Bahia o momento histórico, ocorrido em 9 de novembro de 1989. “É um momento forte. Eu estava distraído sobre a data, mas ontem fiquei bastante pensativo quando vi notícias relacionadas ao assunto. O Muro de Berlim caiu, mas muitos outros levantaram-se depois daquele episódio. À minha cabeça vem a lembrança de que houve uma grande transformação, em fase de ruptura com o momento histórico da geopolítica mundial, mas que resultou numa grande farsa, porque a queda do Muro de Berlim foi celebrada como uma nova era de liberdade de expressão e individual, e essa liberdade é muito questionável hoje, considerando a situação de tantos muros, visíveis e invisíveis, que o próprio Ocidente estabeleceu”.
O evento de hoje é promovido no âmbito da Pró-Reitoria de Sustentabilidade e Integração Social (PROSIS) e Diretoria de Integração Social e Sustentabilidade e Coordenação de Extensão da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).








