quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Estudo aponta 49 falas racistas, em um ano, ditas por autoridades brasileiras

Foto: Marcos Corrêa/PRF

Da Redação

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a organização Terra de Direitos elaboraram estudo inédito que aponta que desde o início do ano passado o Brasil registrou pelo menos 49 casos de discursos racistas proferidos por autoridades públicas. Desse total, 12 partiram do presidente Jair Bolsonaro.

Do total de 49 casos identificados, 20 resultaram em abertura de algum tipo de apuração, seja por inquérito policial, ação ou procedimento administrativo. Até o momento, contudo, nenhum dos autores foi responsabilizado. E muitos dos casos foram arquivados.

“Nós estamos cansados de pedir providências às autoridades e elas rebaterem que isso se trata de liberdade de expressão”, comentou Givania Maria da Silva, que integra a Conaq. “Essas autoridades têm imunidade do cargo, e nosso levantamento mostra que estão usando isso. A imunidade seria para outro fim, mas as autoridades a usam para proferir suas práticas de racismo.”

Dentre as falas racistas,  segundo o portal Terra, 12 foram proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro e outras 12 são de deputados estaduais. Chefes de autarquias, de secretarias ou de outros órgãos de governo (11 casos), deputados federais (6), vereadores (5) e membros do sistema de Justiça (3) completam a lista.

Nos discursos racistas proferidos por autoridades públicas, foram mapeados cinco tipos principais: reforço de estereótipos racistas; incitação à restrição de direitos; promoção da supremacia branca; negação do racismo; e justificação ou negação da escravidão e do genocídio.

21 de novembro de 2020, 00:03

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