terça-feira, 12 de maio de 2026

Em proposta de delação, viúva de Adriano da Nóbrega aponta quem mandou matar Marielle

Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio

Da Redação

A viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro do ano passado em confronto com a Polícia Militar da Bahia, na cidade de Esplanada, revelou a promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro quem foi o mandante da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Segundo a Veja, Julia Mello Lotufo, que está negociando uma delação premiada, detalhou aos promotores a participação de Adriano em uma dezena de homicídios encomendados pela contravenção e listou agentes públicos que receberam propina para acobertar crimes.

Julia, atualmente, está em regime de prisão domiciliar e obrigada a usar tornozeleira eletrônica. Ela propôs colaborar com o objetivo de revogar das medidas restritivas determinadas pela Justiça. O MP ainda não respondeu se aceita a delação, pois os promotores têm preocupação com o que consideram inconsistência e falta de provas em alguns relatos.

Milícia

Documentos aos quais a Veja teve acesso revelam que Julia informou que Adriano da Nóbrega não teve participação no assassinato da vereadora e chegou a cobrar satisfação de seus comparsas em Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, para saber se algum deles tinha envolvimento no caso.

No entanto, segundo a viúva, a ação não foi por empatia, sim com a possibilidade de as investigações atrapalharem seus negócios na região.

Julia disse ainda que o marido não aceitava o que considerava uma tentativa de debitar a morte de Marielle em sua conta.

Segundo a viúva, integrantes da milícia que atua na comunidade Gardênia Azul procuraram o ex-capitão para discutir a possibilidade de ele preparar um plano para assassinar Marielle. Ao fazer a sondagem, alegaram que a atuação da vereadora estaria colocando em risco os negócios da milícia não só em Gardênia Azul, mas em Rio das Pedras.

Adriano teria considerado a ideia absurda e arriscada demais, especialmente por envolver uma parlamentar. Tempos depois, ele foi surpreendido com a notícia do crime.

Quando o ex-capitão foi cobrar satisfações de comparsas de Rio das Pedras, teria ouvido que a ordem partiu do alto-comando da Gardênia Azul. O nome do mandante da execução não foi confirmado. Um dos chefes da milícia de Gardênia Azul é o ex-vereador Cristiano Girão.

16 de julho de 2021, 10:38

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