quinta-feira, 14 de maio de 2026

Da base de Bruno Reis, MDB da Bahia tem conversado com Wagner e Roma sobre 2022

Foto: Reprodução

Fred Xysto

Quando se trata de 2022, o MDB da Bahia está aberto a todas as possibilidades. O partido tem dialogado com todos os três principais nomes que despontam como candidatos a governador: o ex-prefeito da capital baiana ACM Neto (DEM), o senador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos). O que está descartado no momento é o lançamento de uma candidatura própria ao Palácio de Ondina.

Atualmente, o MDB da Bahia faz parte da base de apoio do prefeito Bruno Reis (DEM), pupilo de ACM Neto. A legenda indicou Marise Prado de Oliveira Chastinet para chefiar a pasta da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop). Entretanto, o comando estadual da sigla não descarta uma composição com Roma e nem reeditar a mesma aliança com o PT que, em 2006, ajudou a eleger Wagner governador e acabou com décadas de domínio carlista na Bahia.

Para o presidente do MDB baiano, Alex Futuca, a briga entre o partido e o PT, em 2009, que resultou no lançamento da candidatura de Geddel Vieira Lima ao governo contra Wagner, em 2010, já está superada. “O que aconteceu no passado ficou para trás. Agora, estamos conversando sobre o futuro. Nesse momento, vamos ouvir todo mundo, o que é natural. Política se faz com conversas. Não há vetos a ninguém”, disse Fituca ao Toda Bahia.

Nas eleições estaduais de 2014 e 2018, o MDB esteve ao lado do DEM desde o primeiro turno. O mesmo aconteceu no pleito municipal de 2016, quando os emedebistas indicaram Bruno Reis, então filiado à legenda, para ser vice de ACM Neto. Alex Futuca ressaltou que, apesar dessas alianças, 2022 é outra eleição. “Não temos compromisso de alinhamento automático com o DEM”.

Articulações de Lúcio

O principal articulador do MDB é o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel, que está em prisão domiciliar desde o ano passado – o ex-cacique emedebista cumpre pena após a Polícia Federal encontrar R$51 milhões em dinheiro em um apartamento ligado a ele em Salvador. Lúcio conversa frequentemente com João Roma, além de já ter sido procurado por Wagner.

Em entrevistas recentes, Lúcio tem dito que não há, no MDB, porta fechada para conversas. O partido, que perdeu força na Bahia nas últimas eleições e após a prisão de Geddel, ainda é alvo da cobiça dos pré-candidatos ao governo principalmente por conta do tempo de propaganda de TV que agrega à chapa majoritária.

Questão nacional

Nacionalmente, o comando do MDB tem adotado uma postura de afastamento tanto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quanto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A maior parte da Executiva emedebista defende uma terceira via na disputa pelo Palácio do Planalto.

Essa terceira via pode sair tanto uma candidatura própria quanto do apoio a um nome de outra legenda, a exemplo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ou do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM). Caso essa tendência se confirme no futuro, Wagner e Roma teriam mais dificuldades do que ACM Neto em construir uma aliança com os emedebistas visando o pleito de 2022 para governador.

“A questão nacional com certeza terá peso na Bahia, como sempre teve. Por enquanto, há uma incógnita sobre o futuro. Está tudo muito nebuloso ainda”, disse Alex Futuca.

21 de junho de 2021, 11:35

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