terça-feira, 22 de setembro de 2020

Petros foi alertado que empresa era “fachada” na Torre da Pituba

Thyara Araujo

A cúpula do fundo de pensão da Petrobras (Petros) já tinha conhecimento há pelos menos seis anos dos indícios de desvios e corrupção envolvendo a construção na nova sede da estatal em Salvador, segundo informa a coluna Satélite do Correio*, assinada por Jairo Costa Junior. O edifício, batizado de Torre Pituba e construído com recursos do Petros, foi alvo nesta sexta-feira (23) da 56ª fase da Lava Jato, a Operação Sem Fundos, sob acusação de superfaturamento superior a R$ 1 bilhão.

De acordo com a coluna, que afirma ter tido acesso a documentos sobre o caso, em 2012 dois segurados da Petros enviaram correspondência ao então presidente do Conselho Fiscal do fundo, Silvio Sinedino, na qual relatam suspeitas de fraude no contrato para construção do edifício e alertam para a possibilidade de prejuízos à Petrobras e à Petros.

A lista de indícios fornecidos a Silvio Sinedino inclui detalhes sobre o aumento injustificado de quase quatro vezes o valor original do contrato e a participação de empresas no esquema de corrupção.

A Mendes Pinto Engenharia, com sede em Belo Horizonte (MG), é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por receber R$ 69 milhões de propina nas obras da Torre Pituba, sede da Petrobras na capital baiana. Segundo as investigações, a Petros (Fundação Petrobras de Seguridade Social) contratou a empresa para gerenciar as obras da Torre Pituba. No entanto, o MPF apurou que eram as empreiteiras Odebrecht e OAS que de fato faziam todos os projetos e levantamentos necessários. “O volume de propinas distribuídos nessa obra chegou a R$ 68 milhões e a empresa Mendes Pinto, em contrato, recebeu R$ 69 milhões para praticamente não realizar as atividades para as quais foi contratada. Então, já falamos em R$ 140 milhões desviados do fundo [Petros] e obviamente embutidos no valor do projeto da construção da torre Pituba”, diz a procuradora da República Laura Gonçalves Tessler.

Em 2016, a Controladoria-Geral da União (CGU) declarou a empresa Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A, também sediada em Belo Horizonte, “inidônea” para contratar com a Administração Pública o que, na prática, significa que a construtora está proibida de assinar novos contratos públicos por, pelo menos, dois anos. A decisão, assinada pelo ministro Luiz Navarro, foi a primeira penalidade aplicada a uma das empresas envolvidas na Operação Lava Jato.

O Toda Bahia apurou que as sedes das empreiteiras do ramo de prestação de serviços de engenharia Mendes Pinto e a Mendes Júnior são localizadas bem próximas, a uma distância de 1,1 km. Enquanto a primeira fica situada na Avenida Augusto de Lima, no Centro de Belo Horizonte, a segunda fica
na Avenida João Pinheiro, no bairro Boa Viagem. Ainda não há informações divulgadas pelo MPF a respeito de uma possível relação entre as duas.

Sócios da empresa Mendes Pinto:
Paulo Afonso Mendes Pinto (Nome)
Sócio Administrador (Qualificação)
Mendes Pinto Empreendimentos Eireli (Nome)
Sócio (Qualificação)

Quadro de Sócios e Administradores da Mendes Júnior:
Angelo Alves Mendes
Andrea Guimarães Mendes

24 de novembro de 2018, 11:52

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