quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Corregedora da PGR abre sindicância para apurar conflito de auxiliar de Aras com Lava-Jato

Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ

Da Redação

A corregedora-geral do Ministério Público Federal, Elizeta Maria de Paiva Ramos, determinou, segundo informa o jornalista Aguirre Talento, de O Globo, a abertura de sindicância para analisar os fatos descritos no ofício da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba que acusa a subprocuradora Lindora Araújo de realizar uma manobra ilegal para tentar copiar dados sigilosos da operação. Ela é uma das mais próximas auxiliares do procurador-geral da República Augusto Aras e coordena o grupo de trabalho da Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A sindicância deve apurar tanto se houve ilegalidade na atuação de Lindora, como “a existência de equipamentos utilizados para gravação de chamadas telefônicas recebidas por integrantes da equipe da força-tarefa, incluindo membros e servidores. Nesse caso, o objetivo é apurar a regularidade de sua utilização, bem como os cuidados e cautelas necessários para o manuseio desse tipo de equipamento pelos respectivos responsáveis”.

Na última quinta-feira (25), procuradores acionaram a Corregedoria do Ministério Público Federal após receberem visita da subprocuradora-geral da República Lindora Maria Araújo, alegando que ela buscou acesso a procedimentos e bases de dados da força-tarefa “sem prestar informações” sobre a existência de um processo formal no qual o pedido se baseava ou o objetivo pretendido.

Um documento obtido neste domingo (28) pelo Toda Bahia aponta que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, tinha enviado um ofício ao procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, no dia 13 de maio deste ano, com pedido de compartilhamento da base de dados.

No ofício, Aras alega que os dados requisitados “se destinam a subsidiar o exercício das atribuições finalísticas do Procurador-Geral da República, que compreendem, dentre outras, zelar pelos direiros e interesses coletivos, zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública, além daquelas relativas à coordenação das atividades do Ministério Público Federal e decisão, em grau de recurso, de conflitos de atribuições entre órgãos da Instituição, tudo com a devida observância dos procedimentos de segurança no manejo dos dados obtidos”.

Ao abrir a sindicância, Elizeta confirma, ainda de acordo com O Globo, ter conversado por telefone com os integrantes da força-tarefa, mas disse que não fez nenhum juízo de valor sobre a atuação de Lindora no caso.

29 de junho de 2020, 15:34

Compartilhe: