quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Conversas mantidas sob sigilo pela Lava Jato mostram que Lula relutou em aceitar cargo na Casa Civil

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Redação

Reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo (8) revela diálogos entre procuradores da Lava Jato sobre conversas interceptadas pela Polícia Federal, em 2016, mantidas sob sigilo desde então, envolvendo o ex-presidente Lula. Na época, o então juiz Sérgio Moro tornou pública uma conversa entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff, quando os dois tratavam de sua posse como ministro da Casa Civil.

O áudio de 1 minuto e 35 segundos incendiou o país no dia 16 de março de 2016, às vésperas da abertura do processo de impeachment contra Dilma. A Lava Jato entendeu que o telefonema mostrava que a nomeação de Lula como ministro tinha como objetivo travar as investigações sobre ele, utilizando-se do foro privilegiado para transferir o seu caso de Curitiba para o STF.

Os diálogos divulgados pela Folha neste domingo mostram que outras 22 ligações interceptadas pela polícia naquele dia revelam que o ex-presidente disse a diferentes interlocutores que relutou em aceitar o convite de Dilma e só aceitou após sofrer pressões de aliados. Lula teve conversas com políticos, sindicalistas e o então vice-presidente Michel Temer (MDB), que confirmou à Folha o diálogo que teve com Lula, mas disse não saber que estava grampeado naquele dia.

Segundo os relatórios dos telefonemas interceptados, o ex-presidente só mencionou as investigações em curso uma vez, para orientar um dos seus advogados a dizer aos jornalistas que o procurassem que o único efeito da nomeação seria mudar seu caso de jurisdição. No entanto, apenas o telefonema de Dilma foi anexado aos autos da investigação sobre Lula nesse dia, antes que Moro determinasse o levantamento do sigilo do processo.

As anotações da PF mostram que Lula estava empenhado em buscar uma reaproximação com Temer e o MDB para tentar salvar o governo Dilma, e evitar que sua correligionária fosse afastada do caso. Segundo os relatórios, Temer teria acenado positivamente a essa possibilidade. Ainda de acordo com os relatórios da PF, desde o início da escuta telefônica, em 19 de fevereiro, varias conversas interceptadas mostravam que Lula e seus aliados estavam preocupados com o avanço das investigações, temiam que ele fosse preso e buscavam apoio de autoridades do governo e ministros de tribunais superiores.

08 de setembro de 2019, 11:12

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