terça-feira, 16 de junho de 2026

Após “sugestão” de comandante das Forças Armadas, Evo Morales renuncia à presidência na Bolívia

Foto: Arquivo/Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

Redação

O presidente da Bolívia Evo Morales não resistiu à escalada de violência no país após o resultado das eleições de outubro e renunciou no fim da tarde deste domingo. Ainda na manhã de hoje, Morales havia convocado novas eleições, mas não foi o suficiente para diminuir o clima de tensão.

Pela tarde, o comandante das Forças Armadas do país, Williams Kaliman, sugeriu que Evo Morales renunciasse a seu mandato, para, segundo ele, “pacificar as ruas”.

O jornal argentino Clarín afirmou que Morales teria abandonado a Bolívia e viajado para Argentina. Fontes da OEA, responsável pelo relatório que indicou fraude nas eleições do país, confirmaram que o chefe de estado deixou a Bolívia. Disseram ainda que, depois de deixar La Paz, capital boliviana, Morales desembarcou em Cochabamba, região que o viu nascer, para se encontrar com líderes cocaleiros.

Aliados e integrantes do governo denunciam golpe de estado, comandado pela oposição, que contestou os resultados das eleições que dariam a Morales seu quarto mandato, e pelas Forças Armadas. “O golpe de estado se consumou”, afirmou o vice-presidente García Linera, que também renunciou ao cargo.

Novas eleições

Evo Morales anunciou novas eleições no país, após a onda de protestos que acontecem em diversas regiões a três semanas e já causaram três mortes e deixaram mais de 300 feridos. O presidente boliviano pediu que “se reduza toda a tensão” no país.

Segundo a Folha de S. Paulo, o anúncio foi feito neste domingo (10), logo depois de o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, pedir anulação das eleições na Bolívia.

Os resultados da auditoria da OEA seriam divulgados apenas no dia 13, mas foram adiantados, segundo Almagro, “por conta da gravidade das denúncias”. O resultado das eleições está no centro das tensões na Bolívia, que vem escalando por conta de enfrentamentos entre apoiadores e críticos de Morales, que é acusado por opositores de fraude.

O documento da OEA determina que o governo marque novas eleições “assim que existam novas condições que deem garantias de sua realização, entre elas uma nova composição do órgão eleitoral”.

10 de novembro de 2019, 18:24

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