domingo, 7 de junho de 2020

China é citada, ao menos, quatro vezes em vídeo de reunião ministerial

Foto: Marcos Corrêa/PR

Da Redação

O ministro do STF divulgou o vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro suprimindo os trechos sobre política externa em que a China é citada. É possível identificar, pelo menos, quatro referências à China, todas negativas.

Em um primeiro momento, o ministro da Economia, Paulo Guedes cita o Plano Marshall. “Plano Marshall, por exemplo, os Estados Unidos podem fazer um Plano Marshall para nos ajudar. A China, [trecho suprimido], deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido”.

Mais adiante é o presidente Jair Bolsonaro que fala em serviço secreto chinês. “Eu tava vendo, estudando esse fim de semana aqui como é que o serviço chinês, secreto, trabalha nos Estados Unidos. Qual a população nossa aqui? [trecho suprimido]. É simples o negócio. A, não deve tá acontecendo. [trecho suprimido]. Tudo bem. Tá? [trecho suprimido]. Você tria do [trecho suprimido, porra, da [trecho suprimido] tu não tira. É uma realidade. Não adianta tapar o sol com a peneira,né? Em alguns ministérios tem gente deles plantado aqui dentro, né? Então, não queremos brigar com [trecho suprimido], zero briga com a [trecho suprimido]. Precisamos deles pra vender? Sim. Eles também precisam de n[os. Porque se não precisassem não estariam comprando a soja da gente não”.

Depois, Paulo Guedes, mais uma vez, e o vice-presidente Hamilton Mourão que fazem referência ao país. “A comida tá chegando. As exportações tão seguindo. A China é aquele cara que você sabe que tem que aguentar, porque pra vocês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China.”. Mourão fala algo que também foi suprimido por determinação do STF. Paulo Guedes conclui: “: É, [trecho suprimido]. Você sabe que ele é diferente de você. Você sabe que geopoliticamente está do lado de cá. Agora, não deixa jogar fora aquilo ali não porque aquilo ali é comida nossa. Nós estamos exportando para aqueles caras. Não vamos vender pra eles ponto crítico nosso, mas vamos vender a nossa soja. Isso a gente pode vender à vontade. Eles precisam comer”.

Por fim, é o ministro Paulo Guedes que encerra as menções pouco elogiosas feitas à China durante à reunião, ao retrucar a ministra Damares Alves sobre a legalização de jogos de azar.

“Tem problema nenhum. São bilionários, são milionários. Executivo do mundo inteiro. O cara vem, é… fazem convenções … olha, o turismo saiu de cinco milhões em Cingapura pra trinta milhões por ano. O Brasil recebe seis. Uma pequena cidade recebe trinta milhões de turistas. O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún . Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí é, Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder… Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se fod… do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder…, pô!”.

Embaixada da China responde

A Embaixada da China divulgou uma nota, horas depois de o vídeo se tornar público, reforçando a posição dos dois países como parceiros estratégicos.“Em 2020, a parceria comercial Brasil-China está cada vez mais forte. No acumulado entre janeiro e abril, a China representou 31,0% das exportações do Brasil, com a parceria crescendo a cada mês”, diz a nota publicada no Twitter.

23 de maio de 2020, 16:26

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