segunda-feira, 13 de julho de 2020

Brasileira que coordena testes com vacina para Covid-19 na Inglaterra diz que estudos estão na terceira fase

Foto: Reprodução/GloboNews

Da Redação

Doutora pelo Instituto Butantan, a cientista Daniela Ferreira coordena um dos centros que testa a vacina contra a Covid-19 elaborada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira (1º), ela afirmou que os testes chegaram à terceira fase.

O dilema para provar a possível eficácia está justamente no fato de os cientistas dependerem da continuidade da circulação do vírus entre a população para que os voluntários sejam expostos ao coronavírus Sars-Cov-2.

“Atualmente estamos na fase 3, em que 10 mil voluntários vão participar de um ensaio clínico distribuído ao redor de 18 centros de pesquisa na Inglaterra para medir a eficácia da vacina. Essa vacina rapidamente progrediu para a fase 3, que começou na semana passada”, explicou ela.

Etapas

Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas. Entre elas está a pesquisa básica – que é o levantamento do tipo de vacina que pode ser feita. Depois, passam para os testes pré-clínicos, que podem ser in vitro ou em animais, para demonstrar a segurança do produto; e depois para os ensaios clínicos, que podem se desdobrar em outras quatro fases:

Fase 1: feita em seres humanos, para verificar a segurança da vacina nestes organismos
Fase 2: onde se estabelece qual a resposta imunológica do organismo (imunogenicidade)
Fase 3: última fase de estudo, para obter o registro sanitário
Fase 4: distribuição para a população
Ferreira explicou que é apenas depois da fase 4 que há o licenciamento da vacina, mas, em algumas situações, ela pode ser disponibilizada antes desse estágio para uma parcela da população.

De acordo com ela, a resposta sobre a eficácia da vacina só deve ser obtida entre 2 a 6 meses.

Em maio deste ano, segundo o site Bem Estar, da Globo, a cientista havia afirmado: “Durante uma pandemia, quando você não tem nenhuma outra vacina e realmente precisa de uma, é possível começar a usar vacina só com os dados da fase 3. É possível licenciar uma vacina para o ‘uso em emergência’, que pode ser aplicada, por exemplo em médicos e enfermeiras, pessoas que estão com maior risco de exposição ao vírus, mesmo antes dessa vacina passar pela fase 4”.

01 de junho de 2020, 14:11

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