quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Bolsonaro: de Lavajatista a “parça” dos indiciados

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Davi Lemos

O presidente Jair Bolsonaro declarou nesta semana que “acabou com a Lava Jato” porque, em seu governo, não há corrupção. Não se trata somente do abandono, mas de rasgar uma cara bandeira de campanha que impulsionou a onda anticorrupção que o levou ao Palácio do Planalto. É uma frase preocupante, pois imprime ares autocráticos à gestão que deveria ser democrática e republicana, regida pela independência dos poderes. O ataque à Lava Jato começou quando o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro passou a ser reconhecido, mesmo sem jamais haver declarado que seria candidato, como inimigo (mais que adversário) em 2022 e após a nomeação de Augusto Aras para a PGR.

O amigo Renan

O senador Renan Calheiros (MDB/AL), que esteve na base de apoio de todos os governos desde a redemocratização, em entrevista ao jornalista Willian Waack, disse que o governo Bolsonaro está pondo fim ao “estado policialesco” iniciado com a Lava Jato, lá pelos idos de 2014, e que alcançou notáveis do PT, MDB, PP, PSDB, dentre outras siglas envolvidas no maior esquema de corrupção já descoberto no país, o Petrolão. Bolsonaro tem agora ao seu lado quase todos aqueles que garantiram a “governabilidade” desde Sarney até Temer.

Casos de família

Toda a transformação, o abraço em Dias Toffoli e Gilmar Mendes (do STF) – que devem definir os rumos do julgamento do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) sobre o esquema da rachadinha – e a indicação de um sucessor de Celso de Melo que agrada à dupla apontam que a linha dura dos julgamentos agora dará lugar à apreciação de casos de família. Falando em família, Sérgio Moro tem ouvido de seus familiares que ele deve largar a política e, se for o caso, até mesmo deixar o país. Será a tristeza de muitos que, ao votar em Bolsonaro, imaginaram que teriam o ex-juiz na Lava Jato no STF.

08 de outubro de 2020, 17:14

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