segunda-feira, 30 de março de 2020

A Imaculada Conceição da Senhora da Praia

Foto: Ascom/Basílica da Conceição da Praia

Davi Lemos*

Quem segue neste domingo (8) à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia para celebrar a Padroeira da Bahia muito comumente não consegue explicar o sentido da Imaculada Conceição, um dos quatro dogmas do catolicismo a respeito de Maria, a mãe de Jesus de Nazaré. Quanto ao dogma, não diz respeito à crença católica de que Maria foi mãe conservando a virgindade (a Virgindade Perpétua), mas à fé no princípio de que ela foi preservada, pelos méritos de Cristo, da mancha do pecado original.

Todos os outros seres humanos, ao virem ao mundo, trazem a denominada mancha pela desobediência dos “primeiros pais” – Adão e Eva. Mancha que é apagada pelo batismo. Embora a crença na natureza imaculada de Maria remonte aos primeiros séculos do cristianismo, somente em 8 de dezembro de 1854 o dogma foi solenemente decretado pelo papa Pio IX por meio da bula Ineffabilis Deus. A declaração de um dogma não significa que a realidade afirmada por ele passou a ser crida apenas a partir da proclamação do mesmo.

Já no século II, Militão de Sardes disse que “Maria é a Cordeira Pura e Imaculada, mãe do Cordeiro Imaculado”. São Cirilo de Alexandria, no século IV, afirmava: “Deus jamais permitiu que seu inimigo tocasse naquela em que Ele seria gerado homem”. Mas isto não significa que Maria não seja, também ela, redimida por Cristo. No Evangelho de Lucas, o anjo a chama ‘cheia de graça’, em grego ‘kecharitomene’. Esta palavra significa que Maria não se tornou cheia de graça apenas no momento da anunciação [de que conceberia Cristo], mas desde o primeiro momento de sua existência – ou seja, desde quando foi concebida, por via sexual, por São Joaquim e Sant´Anna.

Quatro anos após a publicação da bula que confirmava o dogma sobre a Imaculada Conceição, a Virgem Maria aparece na cidade de Lourdes (França) a uma jovem camponesa chamada Bernadette Soubirous. À jovem pobre, analfabeta, de família piedosa, a Virgem Maria revela: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Ou seja, a Imaculada Conceição não é um título dado a Maria, é a essência dela.

*Davi Lemos é jornalista

08 de dezembro de 2019, 08:22

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